Primeira luta profissional de Tyson completa 30 anos

Em 85, o Iron Man precisou de 1min14 para vencer pela 1ª vez

WILSON BALDINI JR., O Estado de S. Paulo

06 Março 2015 | 07h00

Uma das carreiras esportivas mais bem planejadas teve início há 30 anos em um ringue simples do Empire State Plaza Convention Center, em Albany, Nova York. Michael Gerald Tyson, um atarracado garoto de 18 anos, de 1,81 metro e 97 quilos, disputou sua primeira luta profissional, após fracassar no amadorismo, quando não se classificou para competir na Olimpíada de Los Angeles, em 1984.

Aconselhado pelo lendário Cus D' Amato e orientado pelo competente técnico Kevin Rooney, Tyson não deu chances ao limitado Hector Mercedes, que só resistiu 1min14 antes de desistir, depois de sofrer uma sequência impressionante e fortíssima de golpes no fígado e no baço.

Com uma história de vida digna dos melhores roteiros de Hollywood e dono de um estilo avassalador dentro dos ringues, Tyson não demorou para ganhar as manchetes nos jornais e somar participações nos programas esportivos dos canais de televisão nos Estados Unidos. Seu estilo não era clássico como o de Joe Louis ou Muhammad Ali, mas impressionava pela velocidade, reflexo, variação e sequência de golpes.

Sua carreira foi arquitetada por dois empresários de sucesso: Bill Cayton e Jim Jacobs. Cayton, um apaixonado pela nobre arte, comprou os direitos de um arquivo de vídeo, que reunia milhares de horas de combates históricos. Para se ter uma ideia, no fim da vida Cayton vendeu o acervo à ESPN por US$ 100 milhões e sua família ainda recebe US$ 1 milhão por ano. Cayton cuidava da confecção dos contratos das lutas de Tyson.

Jacobs era o "paizão".  O responsável por "domar" Tyson, que não cansava de se meter em problemas nos momentos de folga. Jacobs sabia o que era preciso ser feito para manter a sua galinha dos ovos de ouro em forma, pois era apontado como o melhor jogador de squash dos Estados Unidos.

Com todo este amparo, a carreira de Tyson subiu como um foguete. Ao final do primeiro ano, Cayton e Jacobs organizaram um vídeo com todos os seus 15 triunfos (todos por nocaute), que foi enviado para os maiores especialistas em boxe dos Estados Unidos. O Iron Man virou capa da revista Sports Illustrated antes mesmo de ser campeão dos pesos pesados.

Com adversários escolhidos sob medida, para não causar surpresas, Tyson, já sem D'Amato (morto em novembro de 1985), foi subindo no ranking mundial do Conselho Mundial de Boxe, principal entidade que organiza o boxe. Em novembro de 1986, o então campeão Trevor Berbick poderia ter colocado o título em jogo diante de Pinklon Thomas, primeiro colocado do ranking, mas preferiu dar uma chance ao segundo colocado, que era Tyson. Que falta de sorte.

Tyson destruiu Berbick em dois rounds e, aos 20 anos, se tornou o campeão mundial mais novo dos pesos pesados da história. Ficou invicto até 1990, unificou os três cinturões mundiais e foi coroado o novo rei da principal categoria do pugilismo.

A fama foi demais para Tyson, que não contava mais com Cayton, Jacobs e Rooney. Don King era seu empresário e Robin Givens, sua mulher. Inúmeras brigas fizeram Tyson perder a concentração nos treinos. Veio a derrota para Buster Douglas e a prisão, após a acusação de estupro da modelo Desirré Washington, em 1992.

Após três anos na prisão, Tyson voltou e recuperou o título mundial. Foi derrotado de forma surpreendente por Evander Holyfield, em 1996. No ano seguinte, perdeu a credibilidade, ao morder as orelhas de Holyfield e ser desclassificado no terceiro assalto.

Após um ano de punição, voltou mais uma vez em 1998. Chegou a tentar mais uma vez o título mundial, ao desafiar Lennox Lewis, em 2002. Mas o lutador em ação era apenas uma sombra do daquele pugilista quase invencível dos anos 80. Caiu no oitavo round.

Tyson lutou até 2005. Perdeu para os inexpressivos Danny Williams e Kevin McBride. Um castigo para aquele que não soube usar suas habilidades para confirmar a previsão feita por Cus D'Amato antes mesmo de sua estreia no profissional: "Mike Tyson vai ser o maior peso pesado de todos os tempos." Infelizmente, não foi.

Mais conteúdo sobre:
Boxe Mike Tyson

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.