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Após escândalo no tênis, Guga diz que nunca foi assediado

Imprensa inglesa revela investigações sobre entrega de resultados na elite da modalidade; brasileiro cobra punição severa 

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Estadão Conteúdo

18 Janeiro 2016 | 17h53

O maior tenista brasileiro da era moderna, Gustavo Kuerten soltou comunicado na tarde desta segunda-feira para comentar o escândalo que abalou as estruturas do tênis mais cedo, quando uma investigação publicada pela BBC e pelo site BuzzFeed News apontou que 16 jogadores entre os Top 50 do mundo foram flagrados mais de uma vez por investigadores diante das suspeitas de que tenham entregue jogos nos últimos dez anos.

"O episódio é muito triste. Durante toda a minha carreira eu nunca fui assediado, mas o assunto já assombra o tênis há bastante tempo. Para mim, a manipulação de resultados, assim como o doping, representam a corrupção dentro do ambiente esportivo que precisa ser banida", disse Guga.

"Nos anos em que eu estive no circuito, a ATP sempre combateu o caso com muita seriedade. O assunto é extremamente preocupante, porque compromete a essência do esporte, a competição limpa, plena, o respeito às regras. Pela decência e justiça cultivadas pelo universo do tênis, acredito que sejam casos isolados, em que a punição deve ser severa", continuou.

Mais cedo, o também brasileiro Fernando Meligeni concedeu entrevista à Rádio CBN e relatou que ao vencer o britânico Tim Henman, na época sétimo do ranking mundial, em 1999, foi bastante bajulado por "um duplista", o que ele suspeita que tenha ocorrido porque ele aparecia como favorito nas casas de aposta. Meligeni também disse que nunca foi procurado para vender partidas.

A imprensa inglesa evita revelar os nomes dos envolvidos. Mas aponta que, entre os 16 suspeitos, estão inclusive vencedores do Grand Slam. Apesar disso, eles foram autorizados a continuar competindo. O diretor de integridade do TIU, Nigel Willerton, se recusou a comentar se algum dos jogadores atuando em Melbourne está envolvido.

Os documentos, segundo a BBC, teriam sido obtidos a partir de investigações internas da ATP. Mas a entidade que governa o esporte recusa qualquer sugestão de que tenha abafado casos. "Rejeitamos qualquer sugestão de que evidências de manipulação de resultados tenham sido abafadas por qualquer razão", disse o presidente da ATP, Chris Kermode, que apontou que US$ 14 milhões foram investidos pela entidade para combater a corrupção.

No centro da investigação estariam grupos de apostadores na Rússia, no norte da Itália e na Sicília. Ele teriam feito importantes apostas em jogos que estão sob suspeita de terem sido manipulados. Pelo menos três jogos ocorreram em Wimbledon.

Já em 2008, uma investigação interna sugeriu que 28 jogadores envolvidos nessas apostas deveriam ter sido alvo de um inquérito. Mas nada foi feito. Dois jogadores chegaram a ser investigados - Nikolay Davydenko e Martin Vassallo Arguello - mas foram inocentados.

Agora, os documentos apontam para mais de 80 mensagens trocadas entre o argentino Arguello e grupos de apostadores na Sicília, recolocando os dois jogadores no centro da polêmica.

Em 2015, mais de 50 jogos foram colocados em uma lista de suspeitas de manipulação. Segundo a investigação, ameaças e pagamentos de mais de US$ 50 mil são oferecidos aos jogadores nos quartos de seus hotéis.

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