Piotr Snuss/Reuters
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Paris celebra os 20 anos do primeiro título de Guga em Roland Garros

Reverência ao ex-tenista brasileiro é constante no ambiente e nas homenagens pela conquista de 1997

Felipe Rosa Mendes, enviado especial a Paris, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2017 | 20h00

O coração que Gustavo Kuerten desenhou no saibro ainda pulsa em Roland Garros. Vinte anos depois da primeira conquista do brasileiro em Paris, o Grand Slam francês se rende ao carisma e às façanhas do catarinense. Somente nesta edição do torneio, que começa neste domingo em Paris, Guga será homenageado duas vezes. Segue, assim, cultivando suas marcas na tradicional competição. 

A "herança" do surpreendente título conquistado em 1997 pode ser vista mesmo em um rápido passeio pelo complexo de Roland Garros. Seu nome está lá na parede das diversas entradas da Philippe Chatrier, o palco central do torneio, onde Guga levantou seus três troféus. Aparece na galeria dos campeões na sala presidencial da Federação Francesa de Tênis. Também está registrado no concreto no topo da quadra 1, ao lado dos demais lendários campeões de Roland Garros. 

O famoso uniforme amarelo e azul, a marca que identificava aquele tenista ainda desconhecido do público quando da conquista do primeiro título, está lá no museu do torneio. Assim como a imagem do coração desenhado no saibro, na campanha que o levou ao terceiro troféu. Foi graças ao tenista que a bandeira brasileira tremulou no topo da quadra central de Paris. 

Imagens de Guga com seus troféus também surgem perto da quadra Suzanne Lenglen, a número dois do complexo. Os resultados e a identificação com o torneio levaram ainda Guga a aparecer em stands dos patrocinadores, principalmente agora que é garoto-propaganda de duas marcas que também patrocinam Roland Garros.

CURTA-METRAGEM

A forte ligação entre Guga e o Grand Slam está sendo reforçada neste ano, com duas homenagens no torneio. Uma delas foi elaborada pela própria Federação Francesa de Tênis. Para celebrar os 20 anos da primeira conquista, a entidade mandou uma equipe de documentaristas à Florianópolis em março para resgatar a história do rapaz de 20 anos que surpreendeu o mundo do tênis ao despachar favoritos e rivais experientes e faturar o título de Roland Garros quando era apenas o número 66 do ranking. 

O curto documentário, revelado pelo Estado ainda em março, foi lançado nesta semana como forma de destacar a história do brasileiro no campeonato. Em quase 20 minutos de produção, familiares e amigos lembram da trajetória inesperada de Guga no saibro de Paris. E admitem a surpresa com o título, como o próprio ex-tenista reconhece até hoje.

"Cheguei ali garoto e consegui me apropriar de tudo aquilo. Na comemoração, fui abraçar o Larri (Passos, seu treinador), a mãe, meu irmão, tinha essa sensação de estar em família, de estar em casa em Roland Garros. É muito absurdo esse pensamento, né? Mas foi o que aconteceu", disse Guga, em entrevista recente à reportagem. 

Presente desde sexta-feira em Roland Garros, onde atuará principalmente na divulgação das marcas que o patrocinam, o brasileiro ainda receberá outra homenagem na segunda semana do torneio. Desta vez, será festejado pelo Hall da Fama, do qual já faz parte, em evento ainda não revelado pela organização. Até lá, continuará deixando suas marcas no tradicional Grand Slam francês. 

*O repórter viajou a convite da Federação Francesa de Tênis

 

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Felipe Rosa Mendes, enviado especial a Paris, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2017 | 20h00

O que Roger Federer fez nas quadras duras, no início do ano, Rafael Nadal reproduziu no saibro europeu. Assim como o suíço, o espanhol se reergueu no circuito. Tanto que se tornou o franco favorito ao 10.º título em Roland Garros. Novak Djokovic, atual número 2 do mundo e campeão, e o escocês Andy Murray, líder do ranking, correm por fora na disputa, que não terá Roger Federer, fora deste giro de saibro por opção técnica.

Nadal chega a Roland Garros embalado por três troféus importantes na terra batida. Venceu em Montecarlo, Madri e Barcelona. Caiu cedo em Roma, mas o revés inesperado é facilmente explicado pelo desgaste das partidas em série. Recuperado fisicamente, quer superar o frustrante abandono em 2016, quando saiu na terceira rodada. "Quase destruí o meu punho esquerdo naquele torneio", diz.

Parar Nadal será tarefa ingrata para Djokovic e Murray. O britânico esteve longe de convencer no giro de saibro que precede Roland Garros. Mas não foi ameaçado no topo do ranking porque o sérvio também decepcionou. Na final de Roma, por exemplo, ele era o grande favorito, mas caiu diante do garoto alemão Alexander Zverev. 

Sem treinador até aquela competição, o sérvio anunciou Andre Agassi para comandá-lo, a princípio somente em Paris. A contratação deve ter poucos efeitos práticos no jogo de Djokovic em Roland Garros, mas pode motivá-lo. "Ele é alguém que me inspira e isso é o que senti que eu precisava", afirmou. Pelo sorteio das chaves, Djokovic poderá cruzar com Nadal em eventual semifinal. Murray seria possível rival na final.

A marca da chave feminina em Paris é a ausência. Roland Garros não terá a norte-americana Serena Williams, grávida, a bielo-russa Victoria Azarenka, voltando aos treinos após ser mãe, e ainda a russa Maria Sharapova, alvo de polêmica ao ter rejeitado pedido para ganhar convite e entrar direto na chave principal no Grand Slam. Ela não tinha ranking suficiente para competir por causa da suspensão de 15 meses por doping. 

BRASILEIROS

O País terá duas novidades em Roland Garros. Thiago Monteiro vai competir pela primeira vez na chave principal. Será seu segundo Grand Slam, porque entrou também no Aberto da Austrália. Já Bia Haddad fará sua estreia numa chave de Slam, após passar pelo qualifying. Curiosamente, os dois tenistas são namorados.

"Estou ansioso, é o torneio que mais gosto e será um sonho poder disputá-lo pela primeira vez", admite Monteiro, em entrevista ao Estado. Ele estreará contra o local Alexandre Müller, convidado da organização.

Thomaz Bellucci, o número 1 do Brasil e 59.º do mundo, quer superar a desconfiança. "Tenho batido na trave em muitos jogos neste ano, poderia estar entre os 40 do mundo se tivesse conseguido aproveitar algumas chances. Mas agora é olhar adiante e saber que estou perto de alcançar um bom resultado", disse. A estreia será contra o sérvio Dusan Lajovic, 79.º do ranking. Rogério Dutra Silva terá o russo Mikhail Youzhny pela frente.

*O repórter viajou a convite da Federação Francesa de Tênis

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