Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Rafael Nadal volta ao saibro francês como favorito para Roland Garros

Espanhol vem confiante após três títulos e não terá Roger Federer como adversário

Felipe Rosa Mendes, enviado especial a Paris, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2017 | 20h00

O que Roger Federer fez nas quadras duras, no início do ano, Rafael Nadal reproduziu no saibro europeu. Assim como o suíço, o espanhol se reergueu no circuito. Tanto que se tornou o franco favorito ao 10.º título em Roland Garros. Novak Djokovic, atual número 2 do mundo e campeão, e o escocês Andy Murray, líder do ranking, correm por fora na disputa, que não terá Roger Federer, fora deste giro de saibro por opção técnica.

Nadal chega a Roland Garros embalado por três troféus importantes na terra batida. Venceu em Montecarlo, Madri e Barcelona. Caiu cedo em Roma, mas o revés inesperado é facilmente explicado pelo desgaste das partidas em série. Recuperado fisicamente, quer superar o frustrante abandono em 2016, quando saiu na terceira rodada. "Quase destruí o meu punho esquerdo naquele torneio", diz.

Parar Nadal será tarefa ingrata para Djokovic e Murray. O britânico esteve longe de convencer no giro de saibro que precede Roland Garros. Mas não foi ameaçado no topo do ranking porque o sérvio também decepcionou. Na final de Roma, por exemplo, ele era o grande favorito, mas caiu diante do garoto alemão Alexander Zverev. 

Sem treinador até aquela competição, o sérvio anunciou Andre Agassi para comandá-lo, a princípio somente em Paris. A contratação deve ter poucos efeitos práticos no jogo de Djokovic em Roland Garros, mas pode motivá-lo. "Ele é alguém que me inspira e isso é o que senti que eu precisava", afirmou. Pelo sorteio das chaves, Djokovic poderá cruzar com Nadal em eventual semifinal. Murray seria possível rival na final.

A marca da chave feminina em Paris é a ausência. Roland Garros não terá a norte-americana Serena Williams, grávida, a bielo-russa Victoria Azarenka, voltando aos treinos após ser mãe, e ainda a russa Maria Sharapova, alvo de polêmica ao ter rejeitado pedido para ganhar convite e entrar direto na chave principal no Grand Slam. Ela não tinha ranking suficiente para competir por causa da suspensão de 15 meses por doping. 

BRASILEIROS

O País terá duas novidades em Roland Garros. Thiago Monteiro vai competir pela primeira vez na chave principal. Será seu segundo Grand Slam, porque entrou também no Aberto da Austrália. Já Bia Haddad fará sua estreia numa chave de Slam, após passar pelo qualifying. Curiosamente, os dois tenistas são namorados.

"Estou ansioso, é o torneio que mais gosto e será um sonho poder disputá-lo pela primeira vez", admite Monteiro, em entrevista ao Estado. Ele estreará contra o local Alexandre Müller, convidado da organização.

Thomaz Bellucci, o número 1 do Brasil e 59.º do mundo, quer superar a desconfiança. "Tenho batido na trave em muitos jogos neste ano, poderia estar entre os 40 do mundo se tivesse conseguido aproveitar algumas chances. Mas agora é olhar adiante e saber que estou perto de alcançar um bom resultado", disse. A estreia será contra o sérvio Dusan Lajovic, 79.º do ranking. Rogério Dutra Silva terá o russo Mikhail Youzhny pela frente.

*O repórter viajou a convite da Federação Francesa de Tênis

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