Se perder nos EUA, Guga pode ser 80º

O ambiente é de preocupação e de grande torcida por Guga em Florianópolis. O tenista que no início do ano era o número 1 do mundo e espalhou por todos os cantos sua paixão pela cidade onde nasceu, nesta segunda-feira caiu mais dez posições no ranking e está em 46º lugar. Guga, que fez uma artroscopia em fevereiro, está treinando fora dos locais que costumava praticar antes. Prefere as quadras isoladas. Talvez nem convoque uma coletiva antes de embarcar para Nova York esta semana. Na segunda-feira começa o Aberto dos Estados Unidos, último torneio do Grand Slam da temporada, no qual ele defende 250 pontos. Se acontecer o pior, ele pode ficar perto do 80º lugar na classificação mundial. ?Estamos passando por uma fase muito triste. E o Guga está se sentindo pressionado. Vejo muita cobrança, gente perguntando por que ele não está vencendo as partidas. Isso causa um certo desconforto. É natural que queira se isolar?, afirma Paulo Moriguti, superintendente da Federação Catarinense de Tênis. ?Mas outras grandes estrelas do tênis também passaram por problemas de saúde e conseguiram se recuperar. Veja o exemplo de Andre Agassi?, diz o dirigente. Agassi alcançou o primeiro lugar no ranking em 1995 e em 1997 terminou em 122º lugar. Dois anos depois o norte-americano voltou a ser o número 1 do mundo. Apesar da fase, Moriguti diz que o interesse pelo tênis em Santa Catarina não diminuiu. Cerca de 350 crianças continuam jogando no projeto bancado pelo Banco do Brasil e supervisionado por Alice Kuerten, mãe de Guga, nas quadras da federação. ?Pela pouca idade delas, ainda não têm a dimensão do que está acontecendo com Guga?, afirma Moriguti. A entidade, segundo o dirigente, tem sete mil federados, sendo quatro mil ativos. Ele revela que apesar do sucesso ainda há ?curiosidade? misturada com certa ?timidez? de novas empresas para entrar no tênis. ?A maioria ainda quer ver como funciona a relação da mídia e das pessoas com o esporte.? A Eletrosul vai patrocinar uma competição de US$ 10 mil no segundo semestre. A Unimed patrocina um circuito infanto-juvenil, com seis etapas estaduais e um masters em Florianópolis. Moriguti acredita que Guga estará na sua melhor forma física apenas no ano que vem. A torcida vai ter de esperar. Depois dos Estados Unidos, Guga programou jogar na Costa do Sauípe, na Bahia, onde perdeu na estréia em 2001. Lá ele não terá de se preocupar com pontos.

Agencia Estado,

19 Agosto 2002 | 19h26

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