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Alonso e Hamilton já duelam fora da pista

Livio Oricchio - O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2012 | 15h 19

Líder e vice-líder do campeonato mandam mensagens na tentativa de desestabilizar o adversário

NICE - Apesar de serem cinco os candidatos ao título do Mundial de Pilotos da Fórmula 1, a disputa maior, hoje, parece reunir Fernando Alonso, da Ferrari, com 179 pontos, e Lewis Hamilton, da McLaren, 142, líder e vice-líder do campeonato. Junto dos demais 22 pilotos eles vão à pista nesta sexta para os primeiros treinos livres do GP de Cingapura, 14.º do calendário. Nesta quinta, no circuito Marina Bay, um enviou mensagem ao outro na guerra psicológica estabelecida depois da aproximação de Hamilton na classificação do campeonato nas últimas etapas.

"A atmosfera na equipe é fantástica", afirmou o inglês. "A McLaren estreou uma nova versão do seu modelo MP4/27 na Alemanha, quando foi segunda com Jenson Button, e desde então só venceu: com Hamilton na Hungria e Itália e Button, Bélgica. "O pessoal está incrivelmente animado para lutar pelo Mundial depois de nosso grande desempenho, dá para sentir essa energia", completou Hamilton. Ele tirou 25 pontos da vantagem que Alonso possuía na Alemanha.

Alonso lembrou que a natureza do traçado de Cingapura, com seus 5.073 metros, devem levar a Ferrari a lutar pela pole position neste sábado e domingo, ao longo das 61 voltas da corrida. "Ficamos de fora da luta pela vitória nas últimas etapas, mas aqui e nas próximas duas ou três devemos voltar a brigar lá na frente." A Ferrari tem modificações no modelo F2012 para aproximar seu desempenho do da McLaren, como o novo e complexo aerofólio dianteiro e parte posterior do assoalho.

"Precisamos recuperar os pontos que eles tiraram nessas duas ou três provas, mesmo sabendo que são os favoritos depois do que vimos nas últimas três corridas", disse Alonso. O espanhol já ganhou o GP de Cingapura em 2008, com Renault, naquele escândalo em que o resultado foi fabricado, e em 2010, pela Ferrari. Hamilton foi primeiro em 2009, com a McLaren. No ano passado, os dois maiores candidatos ao título este ano não foram ao pódio: Alonso terminou em quarto e Hamilton, em quinto. A vitória ficou com Sebastian Vettel, da Red Bull, seguido por Jenson Button, da McLaren, e Mark Webber, da Red Bull.

MERCADO

A imprensa perguntou aos pilotos sem contrato sobre seu futuro. Alonso, de compromisso com a Ferrari até o fim de 2016, manifestou-se a favor do companheiro Felipe Massa. "Se nosso time decidir substituí-lo tem de ser por alguém melhor. E se você compara todos os nomes que ouvimos da lista de candidatos com o que Felipe fez na Fórmula 1..." Outro pivô do mercado, Hamilton, deixou claro aos jornalistas: "Não estou aqui para falar de assunto que não se relacione ao fim de semana de competição. Não tenho nada extra sobre outras coisas." Hamilton ainda não renovou com a McLaren e sabe-se que a Mercedes lhe fez uma proposta.

PNEUS MAIS MOLES

Bruno Senna, da Williams, vem de marcar pontos em quatro das últimas seis provas. "Estou bastante esperançoso aqui em Cingapura. Nosso carro se mostra veloz nos circuitos onde é necessária elevada pressão aerodinâmica, como este." Depois de duas etapas, Bélgica e Itália, em que a Pirelli disponibilizou os pneus duros e médios, em Cingapura voltam os mais moles, os macios e os supermacios. "Muda bastante a forma de encarar o fim de semana", diz o diretor da Pirelli, Paul Hembery. "Vimos pilotos realizando as provas de Spa e Monza com apenas uma parada, o que não deverá ser o caso agora." Há um fator que pode embaralhar dramaticamente todas as cartas já a partir desta sexta, nos treinos livres: a chuva. No site oficial da Fórmula 1 a previsão do tempo para os três dias é de tempo chuvoso.

HOMENAGEM

Antes da largada, todos no grid dedicarão um minuto de aplauso ao doutor Sid Watkins, médico da Fórmula 1 de 1978 a 2005 e um dos maiores responsáveis pelo significativo aumento da segurança na competição. Ele faleceu há uma semana, aos 84 anos.