Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

ANÁLISE: 'Se Alonso aprender a andar na turbulência, será o favorito a ganhar'

Para bicampeão Emerson Fittipaldi, espanhol tem que usar a primeira metade da prova para se acostumar ao oval

Emerson Fittipaldi, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2017 | 19h00

Na minha opinião, e já falo isso nos últimos anos, acho que o Fernando Alonso é o piloto mais completo da Fórmula 1 hoje. O talento dele é excepcional. É um corredor nato. Na hora da disputa, está sempre forte. Quando baixa a bandeira, ele é sempre competitivo. Ele já mostrou esse talento excepcional na primeira vez em que andou em Indianápolis, ao se classificar na quinta posição entre os mais de 30 carros que tem lá. É uma prova do enorme talento dele para pilotar. Se eu tivesse uma equipe de Fórmula 1 atualmente, eu contrataria o Fernando Alonso com piloto.

Agora, a dificuldade que ele vai ter nas 500 Milhas é o vácuo, a turbulência, pois em Indianápolis você anda a quase 400 km/h nas retas. A essa velocidade, se estiver andando em um grupo de três ou quatro carros, vai afetar a asa dianteira, a asa traseira e isso requer horas de voo para se aprender a controlar. É só na prática, só na corrida.

Como o Fernando tem muito talento e está largando tão bem, por sair em quinto, acho que ele vai se manter no pelotão da frente e aos poucos vai aprender a andar na turbulência, até alcançar os retardatários. Como isso é rápido em Indianápolis, talvez em umas 12 voltas, ele vai passar a ter a dificuldade de turbulência. Então, as primeiras 100 ou 200 milhas vão servir para ele se habituar ao vácuo, a guiar o carro nessa situação. Depois, na metade da corrida para frente, ele pode atacar os concorrentes. 

Em comparação à Fórmula 1, o estilo de pilotagem precisa ser muito mais suave, porque não aceita erros, pela velocidade altíssima, de quase 400 km/h. O oval exige ser muito mais progressivo quando vira o volante para a curva e isso, para um piloto do nível dele, foi um aprendizado rápido, uma adaptação instantânea. 

A parte física não pesa tanto, é mais o mental. A corrida é longa, umas 3h30, então como você anda no oval, está com a adrenalina no limite o tempo todo e o reflexo tem de estar pronto. Será preciso ter o dom de sentir o que o carro vai exigir antes mesmo da manobra ser necessária.

Quando estreei na Fórmula Indy, em 1984, com a participação em algumas corridas, eu tive dificuldade de adaptação, principalmente pela turbulência. O importante é o Fernando Alonso aprender durante a primeira metade da corrida a como trabalhar no vácuo. Depois, ele vai embora, porque é muito talentoso, é o favorito. Ele certamente está com sede de vitória porque há tempo não ganha na Fórmula 1.

Como um evento em um único dia, não existe no automobilismo algo tão grandioso quanto as 500 Milhas de Indianápolis. Como campeonato, obviamente, ganhar a Fórmula 1 é mais importante. Lembro que nos dias das minhas vitórias nas 500 Milhas foram emoções incríveis, foram muito especiais, porque você entra para a história.

* BICAMPEÃO MUNDIAL DE F-1 (1972/1974), DUAS VEZES VENCEDOR DAS 500 MILHAS DE INDIANÁPOLIS (1989/1993) E CAMPEÃO DE FÓRMULA INDY (1989)

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