1. Usuário
Assine o Estadão
assine
Ayrton Senna

Após 20 anos, Ayrton Senna deixa legado em segurança para Fórmula 1

Ciro Campos e Gustavo Zucchi - O Estado de S. Paulo

26 Abril 2014 | 17h 00

Após morte de brasileiro, modalidade ganhou itens para evitar novas vítimas

SÃO PAULO - "Uma batida desperta coisas dentro da gente que normalmente não existem. É uma batalha interior, uma verdadeira guerra psicológica, uma situação que mexe com a razão da gente mesmo quando se quer controlar a cabeça e os instintos. Acidentes mostram como somos frágeis e um erro, um simples problema mecânico, pode nos deixar abalados mentalmente, fisicamente ou até nos tirar a vida." Essas palavras, tristemente proféticas, foram ditas por um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1, Ayrton Senna, que no dia 1.º de maio de 1994, em Ímola, tornou-se vítima de sua paixão pela velocidade. Os 20 anos que se passaram desde sua morte não foram suficientes para que Senna fosse esquecido. Muito pelo contrário. Seu legado faz parte da rotina da categoria, a começar por um aspecto vital: a segurança dos pilotos.

"Basicamente, três áreas foram desenvolvidas depois do acidente do Senna: a segurança dos carros de competição propriamente ditos, o equipamento pessoal dos pilotos e a segurança das pistas", explica o médico Dino Altmann, há 24 anos na Fórmula 1 e um dos 16 especialistas da comissão médica da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

A tragédia que tirou a vida de Senna, causada por uma série de fatores (entre eles a quebra da barra de direção de sua Williams), serviu para apontar aos especialistas onde estavam as falhas e os riscos nos veículos e nas pistas. Tanto que ele foi o último piloto a morrer em uma corrida de F-1 (ocorreram posteriormente duas mortes, ambas de fiscais de pista).

Entre as inovações surgidas após a morte de Senna – e que poderiam ter salvado a sua vida se tivessem sido adotadas antes –, estão ideias simples como o Hans (suporte de cabeça e pescoço) e um sistema que impede as rodas de se soltarem.

"Em função da consequência dos acidentes, existe uma proteção maior evitando aquele tipo de problema. Depois de 1994, o conceito passou a ser de dentro para fora, ou seja, do piloto para o exterior. O cockpit passou a ser o ponto mais estratégico, onde aumentou muito mais a resistência aos impactos laterais e frontais", conta Altmann.

A opinião é compartilhada por quem está dentro do cockpit. Para infelicidade dos brasileiros, o acidente mais grave sofrido por um piloto no período pós-Senna aconteceu justamente com um compatriota. Em 2009, Felipe Massa, na época defendendo a Ferrari, foi atingido na cabeça por uma peça que se soltou da Brawn de Rubens Barrichello. Mesmo assim, Felipe ressalta a mudança nas pistas e nos carros e festeja as condições de que dispõem os competidores agora. "As condições de segurança dos carros melhoraram demais, com a incorporação de materiais mais resistentes e leves, como a fibra de carbono", afirma Massa. "Tanto que ninguém mais morreu numa corrida de Fórmula 1. Na China, por exemplo, as áreas de escape são tão amplas que é praticamente impossível bater."

"Com a morte do Ayrton, há uma nova preocupação em relação à segurança da Fórmula 1. Depois do acidente dele, tudo melhorou, desde o atendimento ao piloto até as equipes de resgate", confirma o bicampeão da categoria Emerson Fittipaldi. "Hoje a Fórmula 1 é um esporte seguro, é só você ver o número de pilotos que se machucaram nos últimos 20 anos", afirma Altmann.

VALORES

Evidentemente, Ayrton Senna deixou como herança muito mais do que apenas a preocupação com a segurança na Fórmula 1. O piloto ainda é lembrado com enorme idolatria. Dentro das pistas, é considerado um dos maiores de todos os tempos. Fora, está marcado como símbolo de perseverança.

"Acho que são diferentes legados que o meu irmão deixou. Temos o óbvio, que são os resultados como esportista. Tem um segundo que diz respeito ao profissional que ele era, à forma como ele ganhava, mostrando que é possível ser um vencedor sem apelar para o jeitinho, para a trapaça. E um terceiro legado que seria o Instituto (Ayrton Senna), como forma de expressão desses valores", diz Viviane Senna, presidente da ONG que leva o nome do piloto.

Bruno Senna, filho de Viviane, também está convencido de que a mais importante contribuição do tio ao Brasil foi o instituto, que acumula prêmios por seu trabalho voltado à educação. "Seu maior legado é o instituto, para levar adiante um grande sonho dele: dar oportunidade às crianças e jovens", afirma o jovem piloto, que também destaca as qualidades de Senna como esportista. "Determinação, obstinação, perfeccionismo, senso de justiça e patriotismo fizeram do Ayrton alguém muito diferenciado num esporte em que a política sempre reinou."

Ayrton Senna

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo