Arrows está fora do GP da Bélgica

Desta vez Tom Walkinshaw foi longe demais, na opinião do jovem piloto de Curitiba, Enrique Bernoldi. O sócio da Arrows escondeu de todos na escuderia que não poderia disputar o GP da Bélgica até o último instante. "Eu me reuni com os engenheiros, de manhã, estava prestes a colocar o meu macacão quando ele chegou e disse que não iríamos treinar", contou Bernoldi. "Alegou que era por causa da diferença de horário entre os Estados Unidos e a Europa. O documento de venda da Arrows não havia sido ainda assinado." Bernoldi não aguentou. "Esse cara é um mentiroso. Não acredito em uma única palavra do que diz." Poucas horas mais tarde, Niki Lauda esclareceu a ausência da Arrows no treino livre desta sexta-feira. "É simples. Tom paga os US$ 2,5 milhões que deve à Cosworth e nós liberamos o uso do motor." Lauda dirige a Jaguar e as duas empresas da Ford para seu programa de Fórmula 1, a Cosworth e a PI, especializada em eletrônica. Bernoldi resolveu esvaziar o saco, como se diz na Fómula 1. "O Tom chegou para o meu patrocinador, a Red Bull, e pediu no começo do ano boa parte do dinheiro, em antecipação. Disse que era para treinarmos mais, eu, no entanto, quase não fiz teste algum." Meses mais tarde, Tom solicitou de novo o pagamento do que deveria ser feito ao longo dos meses seguintes para manter a Arrows em funcionamento. "A Red Bull concordou, mas o que ganhou com isso?" No início da noite Tom mandou distribuir um comunicado informando que "o número de papéis envolvidos na transação da venda da equipe era tão grande que impedia de tudo ser resolvido no fim de semana" e que, portanto, "a escuderia estava fora da corrida de Spa também." O site da BBC divulgou nesta sexta-feira que o comprador da Arrows é um norte-americano de 80 anos, chamado Carl Smith, que teria feito fortuna explorando minas (não se sabe do quê). Craig Pollock, empresário de Jacques Villeneuve e ex-diretor da BAR, negou qualquer envolvimento com o nome do norte-americano. Bernoldi também não sabia de nada: "O Tom não dá satisfação para ninguém. Em quase dois anos que estou aqui, se nós falamos por duas horas é muito. Ele só tem um interesse na vida, dinheiro." O pagamento dos técnicos e mecânicos da Arrows, que deveria ter ocorrido quinta-feira, segundo promessa de Tom, também não foi feito. Quando o treino começou e Bernoldi não entrou na pista, a primeira impressão geral era de greve dos funcionários da Arrows, por atraso de pagamento. Mas não foi o caso. Os cerca de 45 integrantes do time que viajaram da Inglaterra para a Bélgica estavam ainda dispostos a trabalhar no fim de semana, apesar dos dois meses sem receber salários. Heinz-Harald Frentzen, piloto inscrito por Tom na prova, provavelmente nem sabe o que está se passando, pois está em Mônaco, onde reside, planejando seu trabalho com a Sauber, em 2003.

Agencia Estado,

30 Agosto 2002 | 15h03

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