Bridgestone vence disputa com Michelin

Embora não exista Mundial de Construtores de Pneus, como o de Pilotos e o de Equipes, a sua importância na definição dos dois campeonatos existentes tem sido total. Até agora, disputadas três etapas, Austrália, Malásia e Brasil, a Bridgestone está na frente, 2 a 1. O que o diretor-técnico da empresa, Hisao Suganuma, primeiro abordou neste domingo, depois da corrida, foi a questão do pit stop único de Michael Schumacher, a grande surpresa do 31º GP do Brasil. "A decisão foi da Ferrari, mas baseada nos dados de consumo dos novos pneus que trouxemos para cá, apesar dos rumores de que não seríamos capazes." O engenheiro japonês deu mais detalhes do desempenho desses pneus, que foram decisivos para o alemão vencer seu irmão Ralf Schumacher, da Williams, por meio segundo, time da Michelin. "A análise dos tempos de volta de Michael mostram que esses pneus permitiram grande consistência de performance, apesar do forte calor durante a corrida." Até a conquista de Schumacher, neste domingo, o conceito geral na Fórmula 1 era: fez calor, a Michelin ganha a prova. "Desde o GP da França do ano passado estamos trabalhando duro para tornar nossos pneus mais eficientes sob temperaturas elevadas. Hoje devo dizer que me surpreendi com o resultado", falou o piloto da Ferrari. Na Malásia, etapa anterior à de Interlagos, apesar de ter se acidentado na largada, o alemão sabe que não teria nenhuma chance de vencer por causa da maior eficiência dos pneus franceses. A prova foi disputada com temperatura semelhante a de São Paulo. O estrategista da Ferrari e seu diretor-técnico, Ross Brawn, também riu, neste domingo, ao comentar a supresa que a equipe, Schumacher e a Bridgestone prepararam. Depois disse: "As 20 voltas finais de Michael, com Ralf tão próximo, foram sensacionais." O diretor geral da Michelin, Pierre Dupasquier, não escondeu sua frustração com o resultado. A não ser Schumacher e Brawn, talvez ninguém esperasse que a Ferrari poderia fazer um único pit stop. "Foi muito desapontador, mas sigo dizendo que Michael e a Ferrari são muito difíceis de serem vencidos. A saída é continuarmos mantendo a pressão sobre eles." Nem tudo se perdeu com a inesperada conquista da Bridgestone. Do segundo ao oitavo colocado todos os pilotos tinham pneus Michelin. O primeiro Bridgestone, depois de Schumacher, foi Takuma Sato, da Jordan, nono na classificação do 31º GP do Brasil, em Interlagos. Dupasquier projetou para a próxima etapa do Mundial, dia 14 em Ímola, na Itália, outra difícil disputa. "As temperaturas mais baixas da Europa nessa época do ano não nos causa medo", afirmou. A Bridgestone tem a fama de ser mais eficiente quando não está muito quente.

Agencia Estado,

31 Março 2002 | 21h08

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