Clio: deficiente visual realiza sonho

Para quem gosta mesmo das emoções proporcionadas pelas velocidades elevadas não é preciso, necessariamente, observar a rápida passagem de referências como as faixas do asfalto, das placas de sinalização ou de outros veículos mais lentos, basta senti-las. O exemplo foi dado neste domingo pelo menino Daniel Pereira Grechi, de 13 anos, deficiente visual, por causa de esclerose múltipla. "Mãe, é adrenalina pura", disse ele ao deixar o Renault Clio de competição conduzido por Roberto Streit, brasileiro que disputa o Campeonato Europeu e Italiano de Fórmula Renault, depois de duas voltas no rápido circuito de rua de Vitória. "Eu comecei a gritar de tão gostoso que é", disse Daniel, ainda de balaclava, capacete e macacão. "Estou a mil, é incrível como dá para sentir a sensação de velocidade." Ao descrever sua aventura, o menino se entusiama: "Eu dizia a toda hora para o piloto acelera mais, acelera mais." O modelo Clio preparado para corridas atinge velocidades próximas dos 190 km/h no fim das duas longas retas do traçado de 2.760 metros. "Graças a Deus o piloto é bom", comentou. Daniel foi capaz até de comparar o desempenho do carro com o de sua mãe. "Este é muito mais estável, apesar do barulho forte. Eu me agarrei em duas barras de ferro que há dentro dele e só vibrei." O avanço da doença reduziu sua capacidade visual, mas não o amor pelo automobilismo. "Tinha um carro de Fórmula Renault exposto na cidade, eu passei as mãos nele e fiquei maluco. Quando compreendi que havia dois cockpits, não parei de falar para minha mãe que eu queria andar nele de qualquer jeito." A experiência no monospoto não foi possível, pelos riscos de um carro descoberto numa pista de rua, mas no Clio não haveria problemas de segurança. Daniel já solicitou para Pedro Paulo Diniz, promotor do evento, que o deixe, ano que vem, sentir de novo aquilo que mais gosta, as emoções da velocidade. "Vou até emagrecer um pouquinho", brincou, para entrar mais fácil no carro.

Agencia Estado,

25 Agosto 2002 | 16h31

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