Diretor da Renault critica Schumacher

Para o diretor-técnico da Renault, o inglês Mike Gascoyne, as declarações de Michael Schumacher, criticando o comportamento de Jarno Trulli, piloto da equipe, na prova de Melbourne, foram "patéticas e inapropriadas." Já na Europa, são fortes os indícios de que as montadoras que investem na Fórmula 1 estão próximas de tornarem-se sócias da Slec, holding que detém os direitos de exploração do evento. Da saída do safety car na pista, na 5.ª volta do GP da Austrália, à 8.ª volta, o italiano Jarno Trulli ocupou a segunda colocação. David Coulthard, da McLaren, teve sorte de não se envolver no acidente múltiplo da largada e assumiu a liderança da corrida. Michael Schumacher, com Ferrari, acabou ficando em terceiro, atrás de Coulthard e Trulli. Da 5.ª à 8.ª volta, Coulthard impôs ritmo forte e abriu nada menos de 6 segundos e 679 milésimos para Trulli e 6 segundos e 969 milésimos para Schumacher. O piloto alemão compreendeu que para vencer a etapa de abertura do campeonato teria de ultrapassar Trulli o mais rápido possível, cuja Renault era visivelmente mais lenta que sua Ferrari. Mas o italiano fechava-lhe a porta em todas as curvas onde era possível a ultrapassagem, de forma legal. "Não tinha intenção de deixar ninguém ganhar a minha posição", disse depois da competição Trulli. Schumacher só ultrapassou porque o italiano rodou numa mancha de óleo na curva 3, o que causou a entrada do safety car na pista pela segunda vez. Depois de comemorar a vitória no pódio, Schumacher criticou Trulli, ao dizer que o piloto o obrigou a frear forte diversas vezes para não bater, enquanto Coulthard abria vantagem sobre os dois na frente. "Todos querem ver disputas e os dois pilotos lutavam pela posição (2.º lugar). Schumacher tinha o melhor carro e iria passar Trulli", afirmou Gascoyne, defendendo seu piloto. "Jarno mudou sua trajetória a fim de defender sua posição", explicou. O regulamento da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) diz que o piloto que está à frente pode mudar a trajetória uma vez, a cada curva, para evitar de ser ultrapassado. É o que fazia Trulli, ao posicionar sua Renault por dentro, nas tomadas de curvas. Tudo dentro do que manda a regra. Mas para Schumacher, Trulli poderia ter comprometido sua corrida. "Não corro na Fórmula 1 para os outros senão para mim mesmo", comentou Trulli. Sócias da Slec - Representantes das montadoras que investem na F-1 com equipe própria, Fiat-Ferrari, Mercedes-McLaren, Renault, Toyota, e Ford-Jaguar, estão definindo com Bernie Ecclestone uma proposta para comprar parte da participação do alemão Leo Kirch na Slec. Kirch necessita de dinheiro urgente para cobrir o rombo de bilhões de dólares de seu grupo, especializado na aquisição de direitos e vendas de exploração de imagem, como a Copa do Mundo de futebol e a F-1, além de investimentos na área de comunicações. Há muito que as montadoras desejam ter voz ativa no comando do evento que elas geram. A questão básica nem é o risco de Kirch decidir que a F-1 só será transmitida pelas TVs a cabo, como alegam os dirigentes das montadoras. Kirch tem esse direito, já que é sócio majoritário da Slec, presumivelmente de 75% da holding. O que está pegando mesmo é a distribuição do dinheiro que chega à Slec, proveniente principalmente da venda dos direitos de TV da F-1, sua maior fonte de arrecadação. Segundo se comenta, a receita é de nada menos de U$ 1,5 bilhão por ano. "Não faz sentido nós ficarmos com 47% do arrecadado pela Slec para dividirmos entre todos na F-1 e o senhor Ecclestone, seu sócio e a FIA ficarem com o restante", afirmou Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, recentemente. Hoje o assessor de imprensa do grupo Kirch, o alemão Hartmut Schultz, disse que Leo Kirch "está aberto a ter novos sócios." Nenhuma proposta oficial, porém, foi ainda encaminhada, informou.

Agencia Estado,

08 Março 2002 | 18h03

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