Escuderias demitem projetistas na F-1

Enquanto os mecânicos montavam, nesta segunda-feira em Interlagos, toda a estrutura técnica interna dos boxes, para depois iniciarem a montagem dos carros, três das 11 equipes que vão disputar o 31º GP do Brasil, no fim de semana, já anunciaram que estarão desfalcadas de seus diretores-técnicos. Motivo: foram mandados embora. Steve Nichols, da Jaguar, Eghbal Hamidy, da Jordan, e a dupla Malcoln Oastler e Andrew Green, da BAR, assistirão à corrida pela televisão, em casa. Não foram necessárias mais de duas corridas na temporada, Austrália e Malásia, para os sócios majoritários dessas escuderias concluírem que eles falharam em seus projetos. Dos cerca de 60 profissionais que cada equipe desloca a cada etapa do Mundial, quatro dos mais importantes deles não estarão nos boxes de Interlagos. Eles representam uma classe que é a mais carente na Fórmula 1: a de projetistas. Tornaram-se tão raros, ao menos os competentes, que os melhores passaram a ganhar mais que a maioria dos pilotos. Sexta-feira, nos treinos livres da prova, Adrian Newey, da McLaren, estará atento no rádio da equipe às impressões de Kimi Raikkonen, piloto contratado este ano para o lugar de Mika Hakkinen, sobre as reações do carro. Só que o engenheiro ganha cerca de US$ 9 milhões por ano diante de US$ 3 milhões de Raikkonen. "No comments" foi a única expressão ouvida dos integrantes da Jaguar, Jordan e BAR, nesta segunda-feira em Interlagos, quando questionados como irão trabalhar sem seus diretores-técnicos ou quem irá substituí-los. Apenas os assessores de imprensa podem falar no assunto e eles chegam nesta terça-feira a São Paulo. Não existe a menor dúvida de que já na quarta-feira, quando tudo já estiver funcionando no autódromo e os dirigentes desses times já encontrarem-se na ativa, vários acordos começarão a ser desenhados, em Interlagos mesmo. Niki Lauda, por exemplo, principal diretor da Jaguar, está em desespero de causa atrás de um novo diretor-técnico. E tem de ser logo, para planejar a temporada de 2003, porque a atual já está perdida. O modelo R3 da equipe é um projeto com problemas crônicos. David Richards, novo diretor-geral da BAR, assumiu o time inglês mês passado e em pouco tempo compreendeu existir um fator comum entre os desastrosos quatro carros produzidos pela escuderia em quatro anos de existência: os dois projetistas. Como nenhum dos modelos concebidos por eles demonstrou a menor competitividade, Richards os dispensou. O problema é que Malcoln Oastler tem participação acionária na BAR. Teve de ser convencido a ficar de fora do grupo técnico. Como Lauda, já na quarta-feira Richards estará circulando pelo paddock distribuindo seu cartão de visitas a técnicos de outros times. A BAR tem a mesma urgência da Jaguar em um novo projetista. As duas organizações dispõem de orçamentos elevados e não obtém resultados em razão, principalmente, da ineficiência de seus carros. Reforço - No começo do ano passado, o inglês Mike Gascoyne, então diretor-técnico da Jordan, grande responsável pelo terceiro lugar da escuderia no campeonato de 1999, foi contratado pela Benetton, hoje Renault. O irlandês Eddie Jordan, sócio da equipe, fez um oferta elevada para o iraniano Egbhal Hamidy, que dias antes havia anunciado a renovação de seu contrato com a Arrows, para substituir Gascoyne. Há cerca de duas semanas, o pensamento de Jordan era outro: "Hamidy não correspondeu ao que esperávamos dele", afirmou, para explicar sua demissão. Já ficou claro para a Jordan que o projeto do carro coordenado por ele tem problemas crônicos também. É possível que na quarta-feira apareça em Interlagos o novo diretor-técnico da escuderia, o francês Henry Duran, que já trabalhou na Ferrari, McLaren e ano passado estava na Prost. Mas enquanto Jaguar, BAR e Jordan decepcionaram com seus modelos 2002, a Sauber e a Toyota surpreenderam positivamente. Willi Rampf, do time suíço, aproveitou bem a excelente base do carro do ano passsado e produziu este ano um melhor ainda. Já Gustav Brunner não necessitou recorrer à tradicional desculpa, muitas vezes fundamentada, de que tudo é novo na estreante Toyota para justificar eventuais resultados muito ruins. O projeto de Brunner tem desacertos aerodinâmicos, admitidos por ele, mas está longe de ser um modelo lento. O mercado de técnicos vai estar bastante agitado no GP do Brasil.

Agencia Estado,

25 Março 2002 | 19h02

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