F1: prova foi curta para brasileiros

Já na primeira curva, da primeira volta, o Brasil estava fora da disputa do GP da Austrália de Fórmula 1. O pole position Rubens Barrichello, da Ferrari, envolveu-se num acidente perigoso com Ralf Schumacher, da Williams, que acabou por tirar da prova também o talentoso Felipe Massa, da Sauber. Enrique Bernoldi, da Arrows, além de ter completado apenas 20 voltas no circuito Albert Park durante todo o fim de semana, largou depois de 8 voltas da corrida iniciada mas acabou desclassificado. "Não freei antes como ele (Ralf Schumacher) está dizendo", defendeu-se Barrichello. "A equipe conferiu com a telemetria do ano passado e concluiu que eu estava 25 km/h mais rápido que o Michael Schumacher, ano passado, naquele ponto", disse o brasileiro. "Isso é a prova que comecei a brecar depois do normal." Ralf Schumacher bateu com violência na traseira da Ferrari do brasileiro, na freada da curva 1, em seguida à largada, e decolou sobre o carro de Rubinho. "Meu capacete tem uma mancha de uns 5 centímetros, provocado por alguma parte da Williams que o atingiu", revelou Barrichello. O alemão da Williams primeiro acusou seu antigo desafeto de ter feito ziguezague na pista. "Rubens jogou a Ferrari para a direita, fechando o meu caminho, o que é permitido pelo regulamento. Depois, o lançou para a esquerda, onde eu estava, o que já é proibido." A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) permite apenas uma troca de trajetória para o piloto que está na frente. O discurso de Ralf contra Barrichello prosseguiu: "Ele me surpreendeu por brecar antes da hora." A reação do piloto da Ferrari foi imediata: "Ele acha que está sempre com a razão, não vale a pena discutir." Os dois foram chamados na torre de controle para explicar o ocorrido. A direção de prova considerou tudo como "acidente de corrida". Ano passado, no GP do Brasil, eles se envolveram numa situação bem parecida. Ralf estava na frente de Barrichello no fim da Reta Oposta, quando o brasileiro não mensurou também a distância para a traseira da Williams e, na freada, colidiu da mesma forma que Ralf fez na madrugada deste domingo. Até o vôo da Ferrari, em Interlagos, se assemelhou ao da Williams de Ralf em Melbourne. "Eu não posso me queixar. Estou bastante contente com o meu fim de semana", afirmou Felipe Massa. E não é para menos. Na sua estréia na F1, ele largou em 9º lugar, na frente do companheiro da Sauber, o competente Nick Heidfeld (10º), e em nenhum momento, apesar das condições difíceis da pista, com trechos molhados e secos, colocou uma roda sequer na grama. "Aprendi, por exemplo, que o carro muda muito durante a classificação, o que não sabia por não ter simulado uma sessão inteira", comentou. Neste domingo, depois de ser atingido pela Jordan de Giancarlo Fisichella no acidente da largada, a inexperiência de Massa ficou evidente, como ele mesmo contou: "Saí do carro pensando que tudo havia acabado, mas de repente vi um monte de pilotos correndo para os boxes. Foi só aí que me lembrei que na F1 podemos usar o carro reserva." O da Sauber estava ajustado para Massa, apesar de ser um estreante. "O piloto mais rápido na classificação fica com o carro reserva", disse ele. Peter Sauber elogiou bastante o trabalho desse paulistano de apenas 20 anos. Se para Massa deu quase tudo certo, para Bernoldi nada funcionou. "Tive problemas de câmbio na sexta-feira, elétricos no sábado e no domingo", revelou. Tanto Bernoldi quanto seu companheiro de equipe, Heinz-Harald Frentzen, tiveram seus carros empurrados do grid para os boxes, por panes elétricas. O alemão deixou os boxes, depois de duas voltas de corrida, mas não obedeceu a luz vermelha na saída e acabou desclassificado. Já Bernoldi passou para o carro reserva depois de a prova iniciada, o que é proibido, e, no circuito, com 8 voltas de atraso, também recebeu bandeira preta (desclassificação). "Foi uma pena porque em dias como hoje quem fica na pista marca pontos", lamentou o brasileiro.

Agencia Estado,

03 Março 2002 | 14h01

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