GP do Brasil conta 30 anos de história

Michael Schumacher obteve neste domingo sua quarta vitória no GP do Brasil. Ele havia ganho a prova em 1993, 1994 e 2000 e é um dos 16 pilotos que chegaram em primeiro lugar em 30 anos de história da prova. O maior vencedor é o francês Alain Prost, que coleciona seis triunfos. A história do GP do Brasil começou em 30 de março de 1972, uma ensolarada quinta-feira que antedeceu a Páscoa. Naquele dia, foi disputada uma corrida extra-oficial, no circuito antigo, de 7.960 metros, com apenas 12 carros inscritos. Deles, só 11 largaram, pois um teve um problema no grid. O autódromo estava tomado por torcedores, que presenciaram a primeira grande decepção para os brasileiros nestes 30 anos. Émerson Fittipaldi, com sua Lotus preta, liderava tranqüilamente a corrida, mas quebrou a seis voltas do fim e deixou a vitória de "mão beijada? para o argentino Carlos Reutemann, da Brabham. Independentemente do problema com Emerson, os dois milhões de cruzeiros investidos à época para organizar o GP compensaram. O objetivo de colocar o Brasil no circuito da F-1 foi cumprido. O País entrou no calendário oficial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em 1973, quando, aliás, Émerson venceu. Mas em 1972 a corrida teve um significado especial para um brasileiro, na época com 29 anos: Wilson Fittipaldi Júnior, que conseguiu um carro da Brabham para competir pela primeira vez na F-1. E foi uma estréia e tanto: ele obteve o terceiro lugar na corrida, apesar das limitações de seu equipamento. "O carro da Brabham que utilizei era de duas temporadas anteriores e nunca tinha sentado nele. A do Reutemann era do ano, assim como as Lotus do Émerson e do sueco Ronnie Peterson. Apesar disso, briguei de igual para igual com o Peterson?, recorda Wilsinho. Ele conta que, após conseguir o terceiro tempo no grid, fez boa largada e liderou a parte da primeira volta. "No fim da volta, o Émerson, que saíra na pole, me passou. Na segunda volta, perdi mais uma posição, para o Reutemann. Aí, comecei a brigar com o Peterson. Com uma briga com muitas alternativas. Em determinado momento, ele me passou, mas, com a quebra do Émerson no fim, eu fui ao pódio.? Wilsinho não tem dúvidas: "Aquela corrida abriu as portas da F-1 para mim?. Logo a seguir, em Jarama, Espanha, ele fez, em 1º de maio de sua estréia no campeonato. Correu ainda as temporadas de 1973 e 1975. Churrasco - Também estiveram naquele GP de 1972, do lado de fora da pista, Walter Claúdio Pastore e Ugo Getúlio de Barros. Amigos, eles reuniram a família e foram a Interlagos num caminhão da empresa de Walter, chegaram um dia antes, dormiram dentro do autódromo e, para passar o tempo, se divertiram com várias atividades, entre elas um churrasco regado a cerveja. "Ficamos na antiga curva do Sargento. Foi muito legal. Já não me lembro dos pilotos, mas sei que fizemos muita farra. Naquele tempo, era tudo mais tranqüilo?, recorda Ugo, hoje com 78 anos. Walter, de 75 anos, define aquele GP e tudo que o cercou como um "show?. "O Émerson quebrou, mas valeu pelo espetáculo. Naquela época, as pessoas iam a Interlagos por gostar de automobilismo, pelo prazer da corrida e também para encontrar os amigos?, explica. Atualmente, ele observa a F-1 pela TV e tem uma opinião definida sobre os pilotos brasileiros. Aconselha Rubens Barrichello a "falar menos e correr mais?. "Não adianta ele roncar, não pode fazer nada na Ferrari?, completa. Felipe Massa agrada ao torcedor pela personalidade. "Ele não faz média. Isso é um bom sinal.?

Agencia Estado,

31 Março 2002 | 17h54

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