Interlagos servirá de cobaia para FIA

O circuito de Interlagos será o grande laboratório para a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) experimentar seu novo conceito de segurança: substituição das caixas de brita, como meio de redução da velocidade dos carros nos casos de saídas de pista, pelas áreas de escape asfaltadas. Como nos traçados de Albert Park, em Melbourne, na Austrália, e Sepang, na Malásia, duas primeiras etapas do Mundial, as áreas de desaceleração ainda estavam cobertas por brita, será no Brasil, sexta-feira, sábado e domingo, que a Fórmula 1 sentirá de perto a validade ou não da proposta. As obras orientadas em Interlagos pelo delegado de segurança da FIA, Charlie Whiting, no início de dezembro, estão praticamente concluídas. "O trabalho realizado foi mais complexo do que as pessoas pensam. E o resultado parece ser muito bom", disse neste domingo Julio Lima, administrador do autódromo. A Prefeitura asfaltou a maior parte das áreas de escape do S do Senna, da curva do Sol, do Lago e Laranjinha. A exigência maior de Whiting era que não houvesse desníveis superiores a 1 cm entre o asfalto da pista e o da área de escape. "Alguém tinha de ser o primeiro e se, de fato, essa for uma tendência, terá sido importante para nós introduzir a novidade", disse Julio Lima. "Já há gente da FOM (Formula One Management) por aqui e eles nos comunicaram que gostaram do que viram", contou o administrador. Whiting inspecionará o circuito quarta e quinta-feira. Neste domingo, a chuva bastante forte que caiu em São Paulo acabou expondo que a drenagem da pista, com seus muitos aclives e declives, não é tão boa. E a substituição da brita por asfalto permitiu à Prefeitura revê-la. "Nessa reforma trocamos várias grelhas de captação de água, de 5 cm de largura, por outras com 12 cm", explicou Julio Lima. Os pilotos têm consciência de que o asfalto no lugar da brita não garante em todas as situações maior segurança. "Se o piloto começa a rodar e aciona o freio, a redução de velocidade do carro sobre o asfalto é bem maior que se fosse na brita, por causa do atrito", explica Rubens Barrichello, da Ferrari. Já Felipe Massa, da Sauber, lembra que a desvantagem do asfalto poderá ser medida, por exemplo, quando um piloto perder seus freios. "O asfalto irá conter o carro muito menos que ele estivesse sobre a brita", afirmou o brasileiro, embora reconheça que nos capotamentos o asfalto seja mais eficiente. O santantônio, que no caso da Fórmula 1 é a própria tomada de ar para o motor, sobre o capacete do piloto, tende a afundar na brita, transferindo para a cabeça do piloto todo o peso do carro.

Agencia Estado,

24 Março 2002 | 22h16

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