Irritado, Rubinho promete ?não chorar?

A assessoria de imprensa da Ferrari já está acostumada a ter de dar explicações às respostas nem sempre políticas de Rubens Barrichello. Mas nunca poderia imaginar que em plena entrevista coletiva seu piloto repassasse para o chefe do departamento, Luca Colajanni, presente no encontro, a responsabilidade por responder o porquê de ele não usar o novo modelo F2002, como o fará Michael Schumacher. "Não é para mim que vocês têm de perguntar. É para ele.", disse Barrichello, apontando para Colajanni. Apesar da postura comedida assumida em seguida, o piloto deixou claro sua irritação com a decisão da escuderia. "É óbvio que depois de você experimentar um carro novo e constatar que ele é melhor, mais veloz, você deseja utilizá-lo", disse. Barrichello treinou com o modelo F2002 no Circuito da Catalunha, em Barcelona, de terça a sexta-feira. Para contemporizar suas declarações, ele resgatou o que afirmara na Austrália, este ano. "Não vou chorar. É o F2001 que eu tenho e será com ele que vou disputar o GP do Brasil." Seu retrospecto no evento é fraco, principalmente por causa de falhas nos equipamentos que usou em Interlagos. "Tenho de olhar o lado positivo dessa decisão da Ferrari. Pelo menos terei desta vez um carro bastante confiável." Meio sem saber o que dizer, Luca Colajanni viu-se cercado pela imprensa brasileira depois da coletiva, afinal o piloto de seu time o escalou, compulsoriamente, para dar as explicações. "Antes mesmo de conhecermos os resultados dos testes de Barcelona com a F2002, já havíamos decidido, caso o carro se mostrasse resistente, enviar apenas uma unidade para o Brasil", começou falando Colajanni, já sem a presença de Barrichello na sala. "Os três carros usados no GP da Malásia embarcaram direto para São Paulo, portanto seria lógico que eles fossem aproveitados." Como um único modelo novo correria em Interlagos, por decisão prévia, Colajanni deixou claro o critério da Ferrari: "Visando o maior interesse da equipe, escolhemos o piloto que é líder do Mundial e tem 14 pontos na classificação", ou seja, Michael Schumacher. Decisão - A decisão de disputar a corrida do Brasil com a F2002 foi tomada domingo. "Ross Brawn, nosso diretor-técnico, e Paolo Martinelli, responsável pela área de motores, elaboraram um relatório, diante dos dados do teste de Barcelona, e o encaminharam a Jean Todt, nosso diretor-esportivo, e Luca di Montezemolo, nosso presidente", explicou Colajanni. "Foram os dois, no domingo mesmo, que decidiram enviar para o Brasil o modelo F2002." Como Barrichello estava já em São Paulo, recebeu a informação por telefone. Jean Todt o comunicou. "Essa solução atende melhor aos interesses da Ferrari", declarou Colajanni. Durante o quase interrogatório a que esteve submetido pela imprensa brasileira, a expressão do assessor de imprensa da Ferrari não era de alguém que estivesse gostando de passar por aquilo. "Na entrevista para a TV (ocorrida antes da coletiva), Rubens não escondeu sua reprovação à decisão de utilizar o F2001, mas demonstrou sempre compreensão", comentou, enquanto sugeria refletir na postura oposta e pouco profissional adotada na coletiva. Pelo Rádio - O piloto já teve comportamentos semelhantes em outras ocasiões, como no GP da Malásia do ano passado, em que depois de uma ?dobradinha?, acusou Michael Schumacher de não respeitar ordens da equipe para não ultrapassá-lo quando chovia forte. Ross Brawn teve de dizer aos jornalistas que na realidade houve um "mal entendido" nas conversas de Barrichello com a equipe, mantida pelo rádio. Futuro - O piloto brasileiro respondeu sobre o seu futuro. "Minha equipe sabe que não é fácil ser o companheiro de Michael Schumacher", falou. "No momento não estou preocupado em saber se vou continuar aqui ou não. Acho que estou fazendo um bom trabalho, não mais me preocupando com coisas pequenas." Se a direção da Ferrari concordar com sua avaliação, comentou Barrichello, então seu contrato será renovado. "Se não for o caso, vou procurar outro lugar onde eu possa ser feliz, mas não estou pensando nisso." Não marcar pontos nas duas primeiras etapas da temporada, na Austrália e na Malásia, foi "circunstancial", segundo o piloto. Em Melbourne Barrichello envolveu-se num acidente com Ralf Schumacher, da Williams, na largada, e em Sepang mantinha ótimo segundo lugar quando o motor quebrou.

Agencia Estado,

26 Março 2002 | 16h36

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