Daniel Teixeira|Estadão
Daniel Teixeira|Estadão

Kart abre suas portas atrás de novos 'Sennas' para o Brasil

Vem da terra do francês Alan Prost projeto que promete popularizar o automobilismo e formar novos pilotos no Brasil

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 07h00

O País de Ayrton Senna foi buscar na terra do rival, Alain Prost, um novo método para tentar revolucionar a formação de pilotos nacionais. O Brasil começou neste ano a implantar a Escola Brasileira de Kart (EBK), iniciativa criada e subsidiada por franceses, com objetivo de padronizar as técnicas de ensino na modalidade para popularizar o acesso ao automobilismo e formar mais competidores.

O projeto, liderado pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), em parceria com Federação Internacional de Automobilismo (FIA), sediada em Paris, consiste em espalhar pelo País escolas de kart com a mesma metodologia para ensinar crianças de seis a 12 anos. A unificação é inédita no Brasil, reproduz o modelo criado na França e tem como diferencial oferecer preços mais acessíveis aos interessados.

Os idealizadores afirmam que para começar no kart, a iniciativa é até dez vezes mais barata do que tentar o mesmo caminho por conta própria.

A formação inicial, voltada para crianças, compreende quatro módulos, com custo entre R$ 80 a R$ 200 a hora de aula. O valor inclui todo o material utilizado pelo aprendiz. Segundo os instrutores, o aluno ganha certificado após ter investido cerca de R$ 3 mil nas aulas. “Queremos desmistificar a história de que o automobilismo é um esporte inacessível e para poucos”, disse o presidente da CBA, Waldner Bernardo, o Dadai.

“Para aprender a pilotar, o garoto passava um ano, gastava cerca de R$ 30 mil com o kart, preparador, macacão, capacete e equipamentos, mas não tinha a instrução correta. Ficava cheio de vícios”, afirmou o instrutor e piloto Ricardo Molina.

A EBK já tem três núcleos: na Granja Viana (Cotia), em Rio do Sul (SC) e Vespasiano (MG). Outras três cidades em Mato Grosso, Bahia e Maranhão vão ganhar escolas em breve. A CBA aguarda ainda a liberação de R$ 600 mil do Ministério do Esporte para ampliar o programa e contemplar também crianças de baixa renda interessadas.

PILOTAS

No kartódromo da Granja Viana, as primeiras turmas começaram em fevereiro. Já se formaram 50 alunos, dos quais seis são meninas. “Com a escola fica melhor para aprender, porque você vai ter uma base”, disse um dos egressos, Eduardo Ritzmann, de 11 anos. “Antes eu ficava a maioria das vezes em último nas corridas, agora melhorei e acabei ficando em segundo e terceiro”, disse.

O Brasil é o primeiro país a receber o projeto. Os franceses criaram o método depois de analisar a ausência de representantes nas principais categorias do automobilismo. Nos últimos anos, nas escolas francesas, saíram pilotos com passagens pela Fórmula 1, como Jean Eric Vergne e Stoffel Vandoorne.

CONTEÚDO

O caminho para a obtenção do diploma inicial começa com instruções básicas sobre vestimenta, aulas no motor do kart desligado, conteúdo teórico e regras de trânsito. “Eu, por exemplo, colocava a luva antes do capacete”, diz Enzo Bortolato, de dez anos. O aluno só passa ao módulo seguinte mediante aprovação em testes específicos. Em caso de reprovação, é preciso fazer de novo.

Para os instrutores, depois de os alunos terminarem o conteúdo básico no kart, eles estarão mais preparados para seguir a carreira. “Como aumentamos a chance de começar no kart, vamos ter mais pilotos de ponta”, acredita o presidente da CBA.

Mesmo se talentos não despontarem, o idealizador do projeto, o piloto Felipe Giaffone, vê a iniciativa como uma forma de reaproximar as novas gerações do automobilismo. “O kart estava ficando distante da maioria. E não temos mais o Senna para dar aquele boom.”

Após kartódromo, vêm as academias de pilotagem

O caminho de um garoto rumo às principais categorias do automobilismo não é mais um projeto solitário. Atualmente as revelações saem de programas conhecidos como academias, que recrutam talentos do kart e os preparam para novos desafios. Em projetos como esses, os tutores aperfeiçoam os novatos de acordo com qual categoria eles pretendem disputar no futuro.

No Brasil, um dos principais projetos é a Academia Shell, criada em 2015 nos moldes dos programas existentes na Europa. A equipe foi a que teve melhores resultados na última edição do Brasileiro de kart, mês passado, disputado em Santa Catarina.

Já para entrar na Fórmula 1, a maior parte dos novatos da última década integrava no início de carreira programas de desenvolvimento de pilotos das equipes. Sebastian Vettel, por exemplo, participou desde a adolescente do projeto da Red Bull, assim como Lewis Hamilton foi revelado pelo programa da McLaren.

Mais conteúdo sobre:
Kart Automobilismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

'Calouro' pode pilotar na Fórmula Vee se pagar R$ 500

Projeto tenta tornar a prática do automobilismo mais viável para a população

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 07h00

Se para quem gosta de futebol, vôlei e basquete é fácil alugar campo ou quadra para jogar com os amigos, aos fãs de automobilismo a brincadeira de ser piloto por algumas horas também está mais viável. Categorias como a Fórmula Vee, Fórmula Inter e Fórmula 1600 oferecem a chance para novatos no automobilismo guiar por algumas voltas em traçados como o de Interlagos e ainda vivenciar a estrutura dos carros.

O Estado fez o teste semanas atrás dentro de um Fórmula Vee no autódromo paulistano. A categoria, fundada na década de 1960 pelos irmãos Fittipaldi, cobra R$ 500 do ‘calouro’ que quer pilotar os mesmos bólidos usados nas competições.

“Algumas pessoas vêm de longe para só para correr. Há gente do Pará. Temos parceria com agências de turismo de aventura para receber quem vem de fora”, contou o gestor da categoria, Flávio Menezes. Em sessões mais movimentadas, até 60 novatos aparecem para o dia de pilotagem em Interlagos.

Após as orientações até sobre segurança, os participantes vestem macacão, sapatilha e capacete e vão para a pista.

O trajeto consiste em seguir um carro guiado por profissional e dura até três voltas completas. O carro para os interessados em disputar o campeonato da categoria também tem valor acessível, cerca de R$ 45 mil, fora despesas de inscrição e Carta de Habilitação. Existe também a oportunidade de aluguel por algumas etapas específicas do ano. O valor é de R$ 5 mil.

Há um projeto da Fórmula Vee de inaugurar no ano que vem uma categoria especial de transição entre os egressos de provas do kart para outras competições, como Fórmula 3. O intuito é receber competidores a partir dos 15 anos e tentar revelar pilotos para outras categorias. “A categoria, historicamente, é marcada por ser barata e de servir como base. Sempre tivemos o objetivo de manter os custos baixos e continuar acessível ao maior número de pilotos”, disse Wilson Fittipaldi, consultor e instrutor da Fórmula Vee.

Além dele, a categoria também foi início da carreira para pilotos como José Carlos Pace e o bicampeão mundial de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi.

Mais conteúdo sobre:
Automobilismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.