Massa e Bernoldi controlam ansiedade

Com as atenções concentradas nas explicações de Rubens Barrichello sobre disputar o GP do Brasil com a Ferrari F2001, sobrou pouco espaço para Felipe Massa, da Sauber, e Enrique Bernoldi, Arrows, e Luciano Burti, piloto de testes da Ferrari, na entrevista coletiva promovida pela Bridgestone, nesta terça-feira em São Paulo. Os três pilotos brasileiros competem pela marca japonesa. A Fórmula 1 ainda está assustando um pouco Massa. "É tudo muito grande. O número de jornalistas, a potência do carro, os eventos promocionais, a quantidade de pessoas nas arquibancadas." As novas medidas adotadas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), para punir pilotos infratores, recebeu críticas de Massa e de Bernoldi. Se um piloto causar um acidente, os comissários poderão fazer com que naquele etapa ou na seguinte, depende de quando cometeu a falta, ele perca dez posições no grid. "Terá de ser um erro muito grave. Às vezes, o que parece ser algo muito sério para quem está de fora é normal para nós lá na pista", disse Massa. Já Bernoldi lembrou que é difícil julgar culpados por um acidente. "Nós tivemos dois acidentes nas duas últimas corridas e de quem foi a culpa?? No que envolveu Rubens Barrichello e Ralf Schumacher, na Austrália, foi um acidente de corrida. Na Malásia, Juan Pablo Montoya acabou punido, mas até Michael Schumacher, atingido no caso, saiu em defesa do colombiano. A grande novidade da pista de Interlagos, a substituição da brita na área de escape por asfalto, foi comentada pelos três brasileiros. E como em outras ocasiões, destacaram as vantagens e desvantagens da solução. Burti brincou com o grupo. "Para mim, em Spa, não funcionou", disse rindo, referindo-se ao seu sério acidente no ano passado. Burti saiu na curva Blanchmont, a mais rápida da pista, a cerca de 300 km/h. A brita não reduziu quase nada a velocidade antes do impacto na proteção de pneus. Ao contrário do conceito geral, disseminado no automobilismo, de que a Fórmula 3000 não é uma boa escola na formação dos pilotos, Massa e Bernoldi contestaram. "Ela tem sua validade. Na F-3000 temos contato com um carro de potência bem mais elevada que um Fórmula 3 e com corridas mais longas, como na F-1", explicou Massa. Bernoldi concorda, ainda que na sua visão a condução de um F-1 se assemelhe muito mais a um carro de F-3 que a um de F-3000. Burti pulou direto da F-3 para a F-1, quando depois de ser vice-campeão inglês de F-3, em 1999, passou a piloto de testes da Jaguar no ano seguinte. A estratégia de Massa no GP do Brasil será um pouco diferente da usada nas duas primeiras provas do ano. "O mais importante é você aprender o traçado e foi o que eu fiz em Melbourne e em Sepang." No caso de Interlagos, esse estágio não será necessário. "Poderei me preocupar em trabalhar no acerto do carro desde o princípio, ao passo que nas outras etapas eu não tinha como." A Sauber começou os treinos livres com um acerto básico desenvolvido no ano anterior e até os ajustes que davam certo no carro de Nick Heidfeld, companheiro de Massa, acabaram sendo repassados ao seu. Bernoldi lamentou não ter testado o carro da Arrows entre as etapas da Malásia e do Brasil, como quase todas as equipes fizeram.

Agencia Estado,

26 Março 2002 | 18h22

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