Massa joga tudo nas 4 últimas provas

Os profissionais das outras equipes evitaram expressar o que pensam da decisão de Peter Sauber, que dispensou o brasileiro Felipe Massa, a partir do fim do campeonato. Mas ficou nítido dentro da Fórmula 1 um certo inconformismo com o fato de Heinz-Harald Frentzen, de 36 anos, ser o escolhido para o seu lugar. "Por que assinaram contrato de um ano só com ele", questiona o diretor de um dos times. Massa, de 21 anos, teve de responder a muitas perguntas sobre como ele via o fato de ser uma das revelações do Mundial e nem assim garantir o lugar na Sauber. "Não tem como não ficar chateado com essa situação", disse. "A saída agora é uma só, fazer o melhor nessas quatro corridas que restam da temporada, as mais importantes da minha vida." Nesta quinta-feira eram fortes os rumores que Eddie Jordan tem grande interesse em contratá-lo, para formar dupla com Giancarlo Fisichella. O problema é que Jordan precisa de dinheiro e sabe que Massa não tem patrocinadores pessoais. Tanto o irlandês quanto o empresário do piloto, Ricardo Tedeschi, tentam viabilizar o negócio. Fala-se também que Massa teria chances ainda na Toyota, embora nesta quinta-feira se tenha comentado no autódromo que além dos brasileiros Cristiano da Matta, Antonio Pizzonia e até Helio Castro Neves, o holandês Jos Verstappen poderia surgir no time japonês. Uma das cobranças que se faz de Massa é que ele não seria totalmente dedicado a compreender como explorar os muitos recursos técnicos do carro. Hoje, como já disse Rubens Barrichello, da Ferrari, é preciso levar uma cartilha para o hotel a fim de estudar o que a eletrônica pode fazer para melhorar o desempenho do conjunto. "Não concordo muito. Moro perto da sede da nossa escuderia e vou lá mais que o Nick Heidfeld (o outro piloto), por exemplo", diz. "É verdade que ele passa mais tempo reunido com os engenheiros que eu, nas corridas, mas o Kimi Raikkonen, ano passado, permanecia menos ainda e e ninguém falava nada." Sua opinião é clara a respeito da acusação: "Lógico que tenho muito a aprender, mas que não me dedico não é verdade." Pesa contra Massa ainda os muitos acidente sofridos, embora em corrida, a não ser as várias rodadas no GP da Grã-Bretanha, na sua primeira prova sob chuva, não tenha cometido nenhum erro. "Vai me dizer que o que aconteceu em Mônaco fui eu que causei? Fiquei sem freio, pode perguntar a qualquer técnico da equipe", defende-se. "Se me disserem que nos testes de inverno eu bati muito, aceito, errei mesmo algumas vezes por querer tirar 100% do carro em condições que não eram possíveis." Massa admite que o momento mais difícil quanto a acidentes foi na Hungria, na última etapa antes da Bélgica. "Eu bati, no treino de sexta-feira, um erro bobo, e a equipe caiu em cima de mim. Estava sob enorme pressão. Depois acho que fiz um ótimo trabalho no sábado e no domingo." Logo em seguida Peter Sauber o chamou para tomar café da manha na sede do time, em Hinwil, próximo a Zurique, e o avisou que no fim do ano, se desejasse, poderia ser piloto de testes apenas. "Não tenho raiva dele não. Pode parecer não natural, mas só tenho de agradecê-lo, pela chance de mostrar quem eu sou na Fórmula 1." Nessas 13 etapas disputadas até agora, Massa comentou que aprendeu qual o maior desafio da Fórmula 1: "Pilotar, acelerar o carro, lá na pista, é o mais fácil da história. O complicado mesmo é administrar tudo o que se passa fora do cockpit." Ele dá mais detalhes do quer dizer: "É extremamente difícil saber que algumas pessoas disseram que você falou isso ou aquilo, ou agiu de determinada maneira, enquanto na realidade você não disse nada e tampouco se comportou daquela forma." Para Massa, viver essas situações e não poder reagir, "porque tornaria as coisas ainda piores", é "um exercício para poucos." Ele é apenas mais um piloto que reclama da política interferindo no esporte.

Agencia Estado,

29 Agosto 2002 | 17h46

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