Massa repete feito de Emerson e Senna

É só uma coincidência, claro, com os resultados de Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna, mas não deixa de ser um indicativo de que o Brasil pode vir a ter, a curto prazo, outro grande piloto no Mundial: Felipe Massa, paulistano, de 20 anos, da equipe Sauber. Neste domingo na sua segunda corrida na F-1, na realidade a primeira, porque acabou envolvido no acidente na largada em Melbourne, ele se classificou em sexto, marcando o primeiro ponto de uma série que promete ser extensa. "Estou emocionado, está ótimo, lógico, mas poderia ser bem melhor se não tivesse errado no acerto aerodinâmico do carro", disse. Em 1970, Emerson Fittipaldi disputou em Hockenheim, na Alemanha, sua segunda corrida de F-1. Terminou em quarto, com a Lotus-Ford. Em 1984, Ayrton Senna fazia sua estréia na F-1, pela Toleman-Hart. Na etapa da África do Sul, em Kyalami, segunda do calendário, ele se classificou em sexto. Em Sepang foi a vez de Massa dar sequência a essa tradição de grandes campeões brasileiros marcarem pontos no Mundial na sua segunda participação na F-1. "É difícil para mim dizer alguma coisa sobre isso. Acho que é só uma coincidência", falou. O pai do piloto, Luis Massa, comentou. "Digamos que ele foi o terceiro brasileiro a conseguir esse feito." Felipe Massa largou em 14.º porque na sessão que definiu o grid o pneu dianteiro direito soltou-se da roda, fazendo-o parar na pista. O carro reserva tinha outro comportamento do titular. "Meu começo de corrida foi superdifícil. Os caras (Enrique Bernoldi, Arrows, e Alan McNish, Toyota) me passavam e parecia que eu estava parado, não tinha como me defender", afirmou. "Adotamos um acerto aerodinâmico com muita asa. Não tinha velocidade para poder ultrapassar ninguém", explicou. Esse talvez tenha sido o maior ensinamento da sua primeira corrida de F-1. "Compreendi como é fácil, nessa hora que você é ultrapassado, fazer uma besteira e querer resolver tudo por você. Manter a concentração durante todo o tempo não é fácil." A sua primeira prova foi também desgastante, segundo todos os pilotos. "Estou cansado, mas não muito. Não cheguei a diminuir o ritmo por causa de estresse." Ele agradeceu a todos na equipe que o apoiaram desde os primeiros testes, em setembro. "Esse resultado é importante para todos aqui na Sauber." A escuderia é patrocinada pela Petronas, empresa estatal de petróleo da Malásia. A Sauber nunca havia marcado um ponto sequer na corrida mais importante para o seu principal patrocinador, que investe cerca de US$ 35 milhões por ano na equipe. Agora Massa fará testes em Barcelona, junto da maioria dos demais times, quarta e quinta-feira. Só depois embarca para o Brasil. "Gosto muito de Interlagos e conheço bem a pista. Ganhei duas corridas de Fórmula Chevrolet lá, mas não sei quanto isso pode ajudar na F-1. Posso dizer apenas que é uma pista boa para o nosso carro e disputar o GP do Brasil de F-1 é a realização de um grande sonho para mim." Enrique Bernoldi realizou o seu melhor trabalho na F-1 até agora. Ele largou em 16.º, mas ao fim da primeira volta já havia ultrapassado quatro adversários. "Foi uma das provas mais divertidas que já participei. Tive uma grande batalha com Michael Schumacher, com ele me ultrapassando e em seguida eu recuperando a posição." Os dois lutavam pelo nono lugar, na 17.ª volta. O ritmo da Arrows do brasileiro era muito bom, mas logo depois de ele fazer seu primeiro pit stop, na 21.ª volta, encostou o carro com problemas no pescador de gasolina. "Foi uma pena, sem dúvida. A nossa velocidade, porém, me enche de coragem para disputar um bom GP do Brasil."

Agencia Estado,

17 Março 2002 | 15h16

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