Massa se assusta com a agenda da F1

O que mais tem impressionado Felipe Massa na Fórmula 1 não é a velocidade dos carros ou a utilização dos seus recursos eletrônicos avançados, mas a agenda de compromissos organizada por sua equipe, a Sauber. "Sempre imaginei que a F1 fosse assim mesmo, cheia de atividades dentro e fora da pista, mas confesso não ter pensado que fosse tanto", revelou o piloto paulista de 20 anos que estreou na categoria no GP da Austrália. Ele já está na Malásia, onde disputa no domingo a sua segunda corrida, no mais moderno, funcional, seguro e bonito circuito do calendário, Sepang. "Estou gostando dessa vida agitada e diversificada", reconheceu Massa. "Fazemos de tudo, como pilotar o carro de F1 na rua, diante de 10 mil pessoas, acelerar um trem prestes a ter a sua linha inaugurada (do aeroporto para a cidade) e tocar instrumentos de percussão, a pedidos, durante um evento do patrocinador da equipe", contou. E em provas como o GP da Malásia, disputado sob calor intenso (32 graus nesta segunda-feira), Massa ainda precisa arranjar tempo para dedicar-se a um programa de preparação física mais exigente. "Tudo tem sido um grande aprendizado para mim", afirmou ele. Para que se tenha uma idéia do número de compromissos já marcados, o brasileiro irá para a pista apenas na quinta-feira. A Petronas, principal patrocinadora da Sauber, tem a sua sede em Kuala Lumpur. Por isso, a corrida malaia é sempre a mais importante para a empresa de petróleo. No sábado, Massa pilotou o modelo C21 da Sauber numa avenida em Kuantan, cidade localizada a cerca de 300 quilômetros de Kuala Lumpur, para uma demonstração pública das operações de pit stop. "As pessoas vibraram. Até o sultão apareceu por lá, foi bem legal", contou o piloto, cheio de entusiasmo. Depois, ele viajou para conhecer uma das maiores plataformas terrestres de extração de petróleo do mundo, em Kerpem, junto do presidente da Petronas e de sua esposa. "Meu, aquilo é uma cidade gigante. Me disseram que custou US$ 10 bilhões." Apresentar-se em público e comunicar-se em outros idiomas não o desestabiliza emocionalmente, apesar da pouca experiência com a F1. "Não é fácil, mas lido bem com isso", disse Massa. Até ser contratado pela Sauber, em novembro, o piloto ainda não dominava bem o inglês. "A língua inglesa é a oficial da nossa equipe, mesmo sendo suíça. Depois de ser contratado, evolui muito." Dentre as várias programações promocionais vividas nos últimos dias, Massa destaca que num dos encontros com a direção da Petronas, um grupo musical ofereceu-lhes um show com instrumentos típicos. "Meu, me chamaram lá para eu tocar também." Depois, ele deu a entender que surpreendeu a todos com sua performance. "E eu nem tenho formação musical, hein?" Enganam-se os que acham que a Ferrari não terá muita força no GP da Malásia, comentou Massa. "Ano passado foi a mesma história, os pneus Michelin da Williams eram melhores no calor, diziam, e o que aconteceu??, questionou. A Ferrari, que corre com pneus Bridgestone, dominou a prova, apesar do forte calor. A Sauber também compete pela marca japonesa. "Só acho que os adversários da Ferrari vão encostar nela na fase européia do Mundial (quarta etapa, dia 14 de abril, em Ímola). Mas lá a Ferrari deve estrear seu novo carro, que é um foguete." Massa conheceu os seletivos 5.543 metros do traçado de Sepang em novembro, logo depois de assinar contrato com a Sauber. "Dei três voltas com um carro de série e gostei. Há algumas curvas rápidas, bem como eu gosto." O diretor-técnico da Sauber, Willi Rampf, retornará de Hinwil, sede do time, com alguns componentes novos, confeccionados para substituir os danificados nos carros de Massa e seu companheiro, Nick Heidfeld, no acidente da largada em Melbourne. "Os danos foram pequenos", explicou o brasileiro.

Agencia Estado,

11 Março 2002 | 14h50

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