Na F-1, peruas substituem ambulâncias

Os anjos da guarda dos pilotos de Fórmula 1 em caso de acidentes na pista não usam roupa branca nem se locomovem de ambulância. "Muitas vezes as pessoas pensam que o atendimento aos acidentados demora porque a ambulância tende a levar algum tempo para chegar. Poucos sabem que quando ela aparece, o piloto, os médicos e bombeiros especialistas já estão lá", diz o diretor-médico do Hospital São Luiz (responsável pelo atendimento aos pilotos), Carlos Brandão. O mal-entendido, segundo o médico, acontece porque o medical car e os carros de pronto atendimento não são ambulâncias, e sim modelos perua da Volvo. Segundo Brandão, a opção por usar estes veículos tem como objetivo acelerar o atendimento a acidentados. "Estes carros são mais rápidos e potentes do que as ambulâncias e quando conduzidos por pilotos profissionais - como ocorre na Fórmula 1 - é possível transportar médico e bombeiros para o atendimento com maior rapidez e segurança. Se usássemos apenas as ambulâncias, o atendimento demoraria muito mais." Os veículos estão equipados com os aparelhos mais importantes para o atendimento imediato de um piloto em caso de acidentes. Os médicos que atendem os pilotos também não usam roupa branca. Para maior segurança, principalmente em caso de incêndio, eles usam macacões com tecido anti-chama na cor azul. Para este Grande Prêmio do Brasil, o centro médico do Hospital São Luís montado no Autódromo de Interlagos sofreu reformas. Segundo Brandão, o objetivo foi separar melhor o atendimento de casos de emergência, relativos aos acidentes graves de pista, dos atendimentos de rotina de pronto-socorro, como casos de mal-estar. Atento às tendências da Fórmula 1 de racionalizar o atendimento nos próximos anos, o número de médicos este ano é menor. Brandão, garante que no entanto, a qualidade não foi comprometida porque o mini-hospital ganhou equipamentos mais sofisticados em relação aos usados em 2001. Segundo o diretor, a Fórmula 1 pretende, nos próximos anos, limitar as atividades médicas nos circuitos localizados em áreas urbanas, como Interlagos, aos atendimentos de emergência e deixar cirurgias para os hospitais. "Hoje, por exemplo, um paciente no autódromo demora dois minutos e meio para chegar ao hospital de helicóptero, um local com muito mais recursos." Brandão explica que, no entanto, a tendência será a contrária nos circuitos localizados fora de grandes centros, como Spa-Francorchamps, na Bélgica.

Agencia Estado,

28 Março 2002 | 19h00

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