Arquivo Pessoal/Gugu da Cruz
Arquivo Pessoal/Gugu da Cruz

Quarta geração da família Fittipaldi alimenta sonho da Fórmula 1

Netos do bicampeão mundial vivem temporada decisiva na busca pela evolução no automobilismo

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2017 | 17h00

Sobrenome de origem italiana, carregado por garotos nascidos nos Estados Unidos e que representam o Brasil. A família Fittipaldi confia nessa globalizada mistura entre nações tão tradicionais no automobilismo para renovar a dinastia, pilotada agora pela quarta geração, com Enzo, de 15 anos, e Pietro de 20, dupla com resultados de destaque em categorias inferiores.

Os netos do bicampeão mundial de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi, cresceram envolvidos com o esporte a motor. A mãe, Juliana, e o pai, Gugu da Cruz, incentivaram os dois a seguir o caminho iniciado pelo bisavô, Wilson Fittipaldi. Conhecido como 'Barão', o patriarca foi o incentivador do automobilismo e pioneiro na transmissão de corridas pelo rádio no País.

A história da família Fittipaldi vive novo capítulo em 2017, com a mudança de Miami, onde Pietro, Enzo e a irmã Valentina nasceram, para Maranello, na Itália, cidade-sede da escuderia Ferrari. A escolha ocorreu para facilitar a logística do clã. 

Pietro iniciou com vitória a temporada de Fórmula Renault V8 3,5, categoria inglesa responsável por revelar o tetracampeão de F-1, Sebastian Vettel. O caçula, Enzo, começou neste ano na Academia Ferrari, projeto para preparar talentos. Os seis integrantes foram selecionados após bateria de testes.

A transformação positiva para a dupla neste ano alimenta o sonho de repetir o avô, Emerson, o tio-avô, Wilson, e o tio, Christian. Todos eles chegaram à Fórmula 1. "Nasci no ano em que meu avô parou de correr. Meu sonho é ser campeão da Fórmula 1, mas prefiro deixar acontecer", comenta Pietro.

O irmão mais velho experimentou na primeira corrida do calendário, em Silverstone, a experiência de ganhar as duas baterias com uma Lotus preta e dourada, parecida à usada por Emerson lá atrás.

O neto e o avô trocam mensagens após as corridas com dicas sobre o acerto do carro. A recomendação mais frisada ao garoto é para falar com o engenheiro e passar detalhes sobre o rendimento na pista. "Sei que nasci com este sobrenome (Fittipaldi) e não sinto pressão por isso. Na verdade, eu é que me cobro bastante", afirmou.

O irmão mais novo concilia a preparação na Ferrari com a disputa da Fórmula 4. "O sobrenome ajuda com patrocínio, é claro. Mas o que preciso é focar na minha carreira, em construir o meu nome também", disse. Assim como Pietro, ele costuma vir ao Brasil uma vez por ano.

O bicampeão mundial torce pelos netos, porém evita se intrometer na carreira deles. "De nada adianta avô ou sobrenome. O que importa é o resultado. Vejo o Pietro com chances de chegar à Fórmula 1. O Enzo está mostrando todo o seu potencial. Isso mostra sua velocidade e a sede de aprender cada vez mais", comentou ao Estado.

OUTRO HERDEIRO

Mesmo sem a rota para se chegar à Fórmula 1 ser uma receita pronta, o DNA dos Fittipaldi colocou mais um integrante da família no sonho de fazer carreira na categoria. O filho mais novo de Emerson é Emmo, de oito anos, que já compete no kart americano. 'Em cinco corridas da Rotax, ele chegou duas vezes em primeiro e três na segunda colocação', afirmou com o orgulho o bicampeão, que completou 70 anos em 2016. Emmo foi batizado com o apelido que o pai recebeu nos EUA e se destacou em competições em São Paulo.

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