Rubinho e Ralf não podem ser punidos

O documento de prova número 38, emitido às 16h42 de domingo, assinado pelos três comissários desportivos do GP da Austrália de Fórmula 1, Lars Österlind, Henry Krausz e Garth Wigston, informou que o diretor de corrida, Charlie Whiting, lhes encaminhou um relatório reportando o acidente envolvendo o piloto do carro número 2, Rubens Barrichello, e de número 5, Ralf Schumacher. Diz ainda o documento, textualmente: "Diante da situação, os comissários chamaram os dois pilotos para ouvir suas explicações." Mais: "Tendo os ouvido e analisado as imagens do ocorrido, os comissários concluíram tratar-se de um acidente de corrida." Rubens Barrichello e Ralf Schumacher já foram julgados. Ambos não podem ser punidos porque, segundo a autoridade máxima da prova (os comissários desportivos), não houve culpados pelo acidente que acabou por tirar oito carros do GP da Austrália, ainda na largada. Se Österling, Krausz e Wigston tivessem concluído que uma manobra indisciplinada de um dos dois, ou até dos dois, tivesse causado o acidente, a sentença e a pena já seriam também conhecidas. Em geral, os comissários suspendem o piloto, por uma, duas ou três corridas, mas com direito a sursis, o que significa que se ele cometer qualquer novo ato de indisciplina na pista, nessas etapas, terá então de cumprir a pena. E tanto a sentença quanto a pena são decididas logo depois da corrida. Nada disso, no entanto, aconteceu. Vale lembrar que o presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, tem sempre a prerrogativa, como presidente, de alegar "razões de segurança" e modificar tudo. De sentenças de pilotos a regulamento técnico e desportivo, sem necessitar da aprovação de ninguém. Foi o que aconteceu, por exemplo, depois da morte de Ayrton Senna, em 1994. Na etapa seguinte do campeonato, em Mônaco, quando outro piloto se acidentou e em entrou em coma - Karl Wendlinger, da Sauber -, Mosley chamou a imprensa e anunciou um pacote de medidas técnicas para entrar em vigor já na etapa seguinte, o GP da Espanha. As equipes foram saber quando leram o documento, enquanto normalmente seus representantes, em grupo, é que deveriam discutir as alterações. No caso do acidente de Barrichello e Ralf, domingo, não houve até agora nenhuma manifestação de Mosley. Primeiro porque não houve nada de mais sério, a não ser os danos materiais às equipes, e ao próprio espetáculo. E depois, porque o dirigente inglês, como com advogado que é, não costuma reverter as decisões dos comissários desportivos. A FIA, em geral, se manifesta apenas quando há algum caso no seu Tribunal de Apelação. Se Barrichello ou Ralf tivessem sido punidos, eles poderiam recorrer. Na eventualidade de recorrerem e no julgamento da Apelação a sentença fosse confirmada, quase como regra a pena é aumentada, aí sim por orientação da entidade.

Agencia Estado,

05 Março 2002 | 17h06

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