Rubinho reza para Ferrari não falhar

Agora é torcer para que amanhã, principalmente na largada, e depois ao longo das desgastantes 77 voltas, nada de anormal aconteça com sua Ferrari F2002 e Rubens Barrichello possa comemorar a segunda vitória na temporada. Hoje ele cumpriu com brilhantismo a primeira parte da difícil tarefa, ao estabelecer a pole position do GP da Hungria, 13.ª etapa do Mundial. O segundo lugar de Michael Schumacher no grid deixa a Ferrari a um passo para comemorar já neste domingo o título de construtores também. "Igualei o Emerson Fittipaldi em número de poles, seis? Vou ficar feliz mesmo o dia em que conquistar o número de campeonatos que ele ganhou", disse Barrichello. Tudo o que o piloto brasileiro deseja amanhã, antes da volta de apresentação, é que o sistema automático de largada e o motor da sua Ferrari funcionem normalmente. Nas três últimas provas Barrichello ficou na mão. "É uma questão de apertar o botão certo e aguardar", falou, sem demonstrar preocupação com o ocorrido nas largadas dos GPs da Grã-Bretanha, França e Alemanha. E se desta vez nenhuma pane o impedir de correr, só não contornará a primeira curva na liderança, o que no GP da Hungria pode respresentar muito para a vitória, se errar. Schumacher já avisou que, largando do lado sujo da pista, a mais escorregadia do calendário, seria "irreal" tentar superar o companheiro de Ferrari. Mais: a equipe o quer ver vice-campeão e definir o Mundial de Construtores já amanhã, bastando para isso igualar o número de pontos dos pilotos da Williams no GP da Hungria. Em resumo: em nenhuma das 157 provas de Fórmula 1 que Barrichello disputou suas chances de vencer foram tão grandes. "O negócio aqui é manter a calma. Com a sujeira que invade o asfalto é fácil você sair da pista. São 77 voltas, no fim é como estar no meio do deserto sem água." Nada foi conversado ainda quanto à estratégia a ser adotada. "Não falamos e tampouco iremos abordar essa questão até que estejamos na pista, durante a prova." Curiosamente, a pole position veio numa hora em que muitos acreditavam ficaria com Schumacher, por ter sido o mais rápido nos treinos anteriores. "Fiquei atrás dele, mas com diferenças mínimas", explicou Barrichello. "Como escapar da pista nesse circuito é bem fácil, você anda às vezes 99% apenas, como no treino da manhã, para não perder tempo parado." A conquista da sexta pole position da carreira começou com um grande susto. Na primeira tentativa, tendo-se passado já 30 minutos da sessão, o inglês Jenson Button, da Renault, rodou na saída da veloz curva 9. "Havia uma Toyota e uma Jaguar na minha frente e imediatamente seus pilotos jogaram os carros para a direita. Pensei que era para me dar passagem e mantive o ritmo", contou. "Por sorte em seguida vi uma fumaça e freei. Era o Button, atravessado na pista. Poderia ter me machucado assim como a ele também." Até aquela altura Barrichello não havia demonstrado estar em condições de tirar a pole de Schumacher. Na segunda volta lançada, contudo, o brasileiro impressionou. "Mexemos no acerto do carro e ele melhorou bem." Barrichello registrou 1min13s346, nada menos de 660 milésimos melhor que o alemão, primeiro até então. Schumacher se aproximou quando faltavam dois minutos e meio para o encerramento ao fazer 1min13s392, mas ainda assim marca inferior. Um minuto mais tarde Barrichello consegue ser ainda mais rápido, 1min13s333. Mas depois de Schumacher tentar de tudo e não conseguir, o brasileiro já sabia que largaria amanhã na pole position, a terceira na temporada. As outras duas foram na Austrália e na Áustria. Schumacher afirmou: "Hoje meu companheiro fez um grande trabalho e eu não consegui superá-lo." Ralf Schumacher larga em terceiro e Juan Pablo Montoya em quarto, ambos da Williams.

Agencia Estado,

17 Agosto 2002 | 12h25

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