Rubinho vence o GP da Hungria

Rubens Barrichello conquistou neste domingo a sua terceira vitória na Fórmula 1. Depois de largar na pole position, o piloto brasileiro liderou toda prova e venceu o GP da Hungria, no circuito de Hungaroring. Antes, ele havia ganho uma vez na temporada de 2000 e outra no último dia 23 de junho. Na segunda colocação ficou o seu companheiro na Ferrari, o já pentacampeão mundial Michael Schumacher. O alemão Ralf Schumacher, da Williams, completou o pódio em terceiro lugar. A dobradinha de Rubinho e Schumacher também deu o título do Mundial de Construtores para a Ferrari, pela quarta vez consecutiva e 12º na história, quando ainda faltam quatro etapas para o final da temporada. Com a vitória na Hungria, Rubinho assumiu a segunda colocação no Mundial de Pilotos, com 45 pontos. Michael Schumacher, com o título já garantido, passou a ter 112. Na briga com o brasileiro pelo vice estão o colombiano Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher, ambos da Williams e com 40 pontos ganhos. O escocês David Coulthard, da McLaren, também tem alguma chance nessa disputa, pois está com 34 pontos. O outro brasileiro da F1, Felipe Massa (Sauber), fez uma boa corrida e terminou em 7º lugar. Enrique Bernoldi não participou do GP da Hungria, pois a equipe Arrows desistiu da prova em razão da grave crise financeira que atravessa. "Vencer a corrida e permitir à Ferrari conquistar o título de construtores é fantástico", comemorou Rubinho. Como na etapa de Nurburgring, dia 23 de junho, o brasileiro venceu sem precisar de chuva, da desistência de concorrentes que estavam à sua frente ou outros fatores que poderiam ter interferido no resultado final. A não ser, claro, da anuência de Schumacher a fim de evitar uma disputa. ?Acho que tanto a Ferrari como eu vivemos um momento brilhante?, afirmou Rubinho, que prometeu mais. ?Desde o começo do campeonato, apesar de não marcar pontos, eu afirmei que no fim eu estaria bem na classificação. Restam quatro etapas para o encerramento do ano e tentarei ganhar todas." Para isso, terá, ao menos em uma delas, de lutar com Michael Schumacher. O alemão venceu nove vezes na temporada, igualando o seu próprio recorde e de Nigel Mansell, em 1992, e quer a 10ª vitória para ficar sozinho em primeiro também nesse parâmetro de desempenho. Apesar de a pista ser bastante escorregadia e do calor intenso deste domingo (30 graus) facilitarem a perda de controle do carro, Rubinho não cometeu um único erro. "Não foi fácil como pareceu. Nos meus dois pit stops saí dos boxes metros apenas na frente do Schumacher", revelou o brasileiro. Tudo funcionou, porém, com perfeição. "Já na largada eu não estava acreditando como ela havia sido boa, os outros carros ficaram bem atrás de mim na primeira curva", disse ele, que nas três etapas anteriores teve problemas exatamente na largada. Depois, Rubinho comparou as últimas experiências, em que foi obrigado a largar lá atrás, com a deste domingo. "É muito mais difícil sair da pole, caso contrário você tem de vir ultrapassando todo mundo." Na pista húngara isso não seria possível. "Não deve ser muito legal para o público não assistir a ultrapassagens porque o traçado não permite. Acho que esse circuito deveria ser remodelado." Com a vitória praticamente garantida nas voltas finais, o piloto brasileiro passou a administrar a enorme vantagem sobre os demais concorrentes. Ralf Schumacher, por exemplo, terceiro colocado, estava a 23 segundos e 297 milésimos na 71ª volta de um total de 77. Michael Schumacher, em segundo, a 3 segundos e 937 milésimos. Foi quando o alemão resolver "acordar", como ele próprio disse. "Perguntei ao Ross Brawn (diretor-técnico da Ferrari) qual era até aquela altura a melhor volta", explicou Schumacher. "Ele me disse que era a de Barrichello". Na 31ª passagem ,o brasileiro havia registrado 1min16s891. "Ok, aqui vou eu, disse pelo rádio a Brawn", contou. O alemão exigiu tudo de si e do carro e na volta seguinte, 72ª, fez 1min16s207, à média de 187,7 km/h, a melhor da corrida. Barrichello virou naquela volta 1min19s474, nada menos de 3 segundos e 267 milésimos mais lento. "Jesus Cristo, o homem estava lá atrás e quando olhei no espelho de novo ele estava colado em mim", afirmou Rubinho. Depois Schumacher contou que no GP da Grã-Bretanha, este ano, Barrichello ficou para trás, por ter largado em último, em razão de problemas com sua Ferrari na largada, e de repente, no fim, estabeleceu uma volta que ele próprio foi perguntar ao brasileiro como a havia feito. "Aqui foi a minha vez de fazer o mesmo", afirmou Schumacher, rindo, ao mesmo tempo em que explicava a renúncia por lutar pela vitória: "Nossa meta é fazer de Rubens o vice-campeão e não faria sentido tentar lhe tirar pontos." É essa facilidade extrema que os dois pilotos da Ferrari têm que justificam a equipe ter definido neste domingo a conquista do Mundial de Construtores com tanta antecedência, para não se mencionar que Schumacher é campeão desde o GP da França, recorde de precocidade na Fórmula 1. Com os 16 pontos na Hungria, a Ferrari chegou a 157 pontos no campeonato, quase o dobro da segunda colocada, a Williams, com 80. Entre os pilotos, Schumacher continua invicto este ano: marcou pontos em todas as 13 etapas disputadas. Foram 9 vitórias, três segundos lugares e uma quarta colocação. A próxima etapa do Mundial será o GP da Bélgica, dia 1º, no veloz, fascinante e perigoso circuito de Spa-Francorchamps. Confira a classificação final da prova: 1º Rubens Barrichello (Ferrari) - 1h41m49s001 2º Michael Schumacher (Ferrari) - a 0s434 3º Ralf Schumacher (Williams) - a 13s355 4º Kimi Raikkonen (McLaren) - a 29s479 5º David Coulthard (McLaren) - a 37s800 6º Giancarlo Fisichella (Jordan) - a 1m08s804 7º Felipe Massa (Sauber) - a 1m13s612 8º Jarno Trulli (Renault) - a 1 volta 9º Nick Heidfeld (Sauber) - a 1 volta 10º Takuma Sato (Jordan) - a 1 volta 11º Juan Pablo Montoya (Williams) - a 1 volta 12º Olivier Panis (BAR) - a 1 volta 13º Pedro de la Rosa (Jaguar) - a 2 voltas 14º Allan McNish (Toyota) - a 2 voltas 15º Mika Salo (Toyota) - a 2 voltas 16º Mark Webber (Minardi) - a 2 voltas

Agencia Estado,

18 Agosto 2002 | 10h44

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