Vantagem da Ferrari já assusta a F1

A Williams e a McLaren não mediram investimentos para projetar e construir carros novos e ultra-estudados para a temporada 2002. A BMW, fornecedora da Williams, concebeu aquele que é considerado o melhor motor da Fórmula 1, enquanto a Mercedes desenvolveu um motor V-10 completamente novo para a McLaren. A Williams fez mais de 5 mil quilômetros de testes com seu modelo FW24. A McLaren, mais de 6 mil, com o MP4/17. No GP da Austrália deste domingo, no entanto, as duas equipes constataram que apesar de tudo isso ainda estão muito atrás da Ferrari do ano passado. O que não ocorrerá quando Michael Schumacher e Rubens Barrichello estrearem a F2002, provavelmente no GP de San Marino? As explicações para o fracasso da Williams e da McLaren no GP da Austrália são muitas. Vão desde a maior adaptação dos pneus Bridgestone da Ferrari à pista de 5.303 metros de Melbourne ao maior conhecimento dos italianos em como trabalhar o carro, afinal já o utilizaram durante todo o ano passado. A verdade, porém, é uma só: Williams, McLaren e Michelin têm de reagir já, e com vigor, para justificar todo o dinheiro que gastaram e garantir, consequentemente, maiores emoções no campeonato. Caso contrário, se em 2001 Michael Schumacher concluiu a festa já no GP da Hungria, 13ª etapa da temporada, agora tanto o Mundial de Pilotos quanto o de Construtores podem acabar ainda antes. "A história deste campeonato não será a do GP da Austrália", prevê Gerhard Berger, diretor esportivo da BMW. "Uma combinação de fatores explica as diferenças impostas pela Ferrari no fim de semana", diz. "Primeiro, a maior afinidade da equipe com o circuito. Eles venceram aqui em 1999, 2000, 2001 e hoje", explica. "Depois, como todo mundo viu, os pneus deles funcionaram aqui e os nossos não." Sam Michael, chefe dos engenheiros da Williams, discorda que se trata de uma Ferrari velha. "Eles modificaram bastante o carro em relação àquele que disputou o GP do Japão do ano passado, o último de 2001." Peter Sauber, sócio da Sauber, vê da mesma forma. "O carro usado hoje é na realidade o desenvolvimento daquele de 2001, que tinha excelente base. Motor, aerodinâmica, tudo foi trabalhado." Há outras interpretações também, como a de Gary Anderson, chefe dos engenheiros da Jordan. "Eles foram já na sexta-feira um segundo e 545 milésimos mais rápido que o primeiro adversário (Ralf Schumacher, da Williams). Depois ontem, na chuva, também bem mais velozes", lembra. "A corrida apenas confirmou o que estávamos assistindo." Enquanto as demais equipes tentavam compreender seus novos carros para procurar tirar dele o máximo, o que ninguém conseguiu, a Ferrari já sabia onde e como mexer para tornar a F2001 muita ajustada ao circuito. "Eles disputaram 17 GPs com o carro e realizaram milhares de quilômetros em testes. Isso faz muita diferença." A explicação é de Gary Anderson. Já Norbert Haug, da Mercedes, transferiu para os pneus, com razão, parte importante da responsabilidade pela diferença assustadora entre a Ferrari e seus adversários. "Os deles funcionaram desde o primeiro instante e os nossos não. Temos de melhorar nosso pacote chassi-motor, claro, mas também a Michelin." Como Berger, Ralf Schumacher aposta que nas duas próximas corridas, dia 17 em Sepang, na Malásia, e dia 31, em Interlagos, São Paulo, tudo será bem diferente. "É um erro achar que o que assistimos hoje aqui é o que se passará no restante da temporada", afirma o irmão de Michael. "Essa pista, com suas características particulares, e o tempo que variou muito em todo fim de semana, mascararam o verdadeiro potencial de cada equipe. Não acredito que essa seja a vantagem da Ferrari." Como o colombiano Juan Pablo Montoya, Ralf também prevê que o calor de Sepang e Interlagos modificará totalmente o clima de derrota antecipada que se instalou na F-1 depois da avassaladora conquista da Ferrari na Austrália.

Agencia Estado,

03 Março 2002 | 16h56

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