Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bernardinho encerra ciclo vitorioso na seleção masculina de vôlei

Treinador pode ser considerado o maior técnico do vôlei mundial

Marcio Dolzan e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2017 | 17h35

O técnico Bernardinho pode ser considerado o maior treinador do vôlei mundial. Extremamente vitorioso, ele teve de tomar uma decisão difícil, de não seguir à frente da seleção masculina para o próximo ciclo olímpico. Pesou o fato de nas últimas décadas ter dedicado pouco tempo à família. Longe da seleção, ele ficará como coordenador na CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e continuará como técnico do time feminino do Rexona-Sesc.

Seu currículo fala por si e ele deixa a seleção brasileira com um grande legado de conquistas. Só para se ter uma ideia, ele levou as seleções ao pódio nos Jogos Olímpicos em todas as últimas seis edições: foi bronze em Atlanta-1996 e Sydney-2000 (com a seleção feminina), ouro em Atenas-2004 e Rio-2016, e prata em Pequim-2008 e Londres-2012 (com a seleção masculina).

Carioca de 57 anos, Bernardo Rocha de Rezende se descreve como um "velho olímpico". Ele começou como jogador no final da década de 70 e fez parte da "Geração de Prata", a seleção que ganhou a primeira medalha olímpica no esporte, em 1984. A conquista inspirou gerações de atletas, pavimentou o caminho para a hegemonia do País nas competições internacionais e fez do vôlei a segunda paixão nacional entre os brasileiros.

A medalha obtida em Los Angeles é a única que Bernardinho guarda em casa, já que os treinadores não recebem o símbolo que eleva os atletas ao Olimpo. Ainda assim, antes da conquista no Rio, ele já era o técnico mais vitorioso da história do vôlei mundial. Foram mais de trinta títulos em competições internacionais à frente das seleções masculina e feminina.

A primeira conquista olímpica como treinador foi em Atlanta, em 1996, o bronze com a seleção feminina, repetido em Sydney, quatro anos depois, encerrando um longo ciclo no comando da equipe. A partir de 2001, ele conduziu a seleção masculina a uma trajetória única no esporte coletivo brasileiro: a sequência de quatro finais olímpicas, iniciada com um ouro, em Atenas (2004), duas pratas, em Pequim (2008) e Londres (2012), e mais um ouro no Rio, para encerrar sua trajetória.

Na lembrança do torcedor brasileiro estará a emoção do técnico no Maracanãzinho, na final olímpica diante da Itália. O ouro conquistado foi sua sétima medalha em uma trajetória de nove Olimpíadas. Icônico dentro e fora de quadra, ele já indicava que a Olimpíada em casa "encerraria um ciclo" na seleção. Para ele, seu legado é "o trabalho bem feito".

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