JF Diório|Estadão
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Com melhores 'professores' possíveis, Roberta corre atrás do sonho olímpico

Levantadora é o cérebro do Rexona-Sesc, que lidera a Superliga feminina de vôlei

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

15 Março 2017 | 16h27

A levantadora Roberta teve os melhores professores possíveis para sua posição. Ela já treinou junto com Fernanada Venturini, Fofão e Dani Lins, todas que fizeram história na seleção brasileira, é comandada pelo técnico Bernardinho no Rexona-Sesc e por José Roberto Guimarães na seleção brasileira. Os dois foram levantadores e a atleta conta que aprendeu muito com todos eles.

"Eu não podia ter os melhores professores. É aula prática, não foi vendo em livros. Eu tentei pegar um pouquinho de cada um, mas tenho a minha personalidade, quero me criar como levantadora e não querer ser igual alguém. Eu tento lembrar de tudo que aprendi com cada uma delas e voltando à seleção posso trabalhar com a Dani Lins novamente, em outra fase. Para mim isso é ótimo. É tentar colocar em prática e aproveitar ao máximo o que tentam me ensinar", diz Roberta.

Aos 26 anos, a jogadora mostra ambição e espera corresponder à expectativa dos grandes mestres que teve. "Quero crescer cada vez mais. O mínimo que eu posso ser é uma das melhores depois de ter trabalhado com tantas pessoas boas. Sou boa aluna, acho que presto bastante atenção. Às vezes erro um pouco, não tem como. Entendo que às vezes não farei bons jogos, mas isso faz parte. É hora de crescer, de aparecer, de mostrar meu jogo", continua.

Titular de Bernardinho na equipe que lidera a Superliga feminina de vôlei com 21 vitórias e apenas uma derrota, Roberta sabe que tem um treinador exigente no banco de reserva. "Quem vê de fora até se assusta, mas eu estou acostumada. No dia a dia ele treina a gente com pressão para poder na hora do jogo não sentir tanto. Eu também sou muito exigente, então para mim isso é bom, pois a cobrança faz a gente crescer. Eu busco a perfeição e isso é bom de trabalhar com ele."

Para Bernardinho, chegou o momento de Roberta como levantadora, até pela experiência que ela adquiriu nos últimos anos. Mas ele sabe que o aprendizado continua. "É um processo. Eu não sou dos caras mais pacientes, mas sei que não posso exigir dela o que exigia da Fernanda ou da Fofão. Ela precisa ter rodagem. Um levantador precisa ter quilometragem, são experiências somadas. Ela vai desenvolver um pouco a liderança e a comunicação também", explica.

O treinador vê sua atleta assumindo a responsabilidade de substituir levantadoras famosas e jogar em um grande time. "Isso às vezes pesa sobre ela. Mas obviamente ela tem as condições e um arsenal de possibilidades que ela vivenciou, viu e aprendeu. Sei que tudo isso requer tempo e são poucos que são muito jovens e conseguem brilhar. Essa posição do vôlei requer tempo e experiência vivida. É nisso que vamos trabalhar o tempo todo."

Roberta foi formada no projeto social do Rexona, ainda em Curitiba. Agora, é a bola da vez na seleção feminina para a reserva de Dani Lins e está em sua primeira temporada como titular absoluta na equipe. "A visão é de crescimento. Eu vim para esse projeto sabendo que eu precisaria de paciência para amadurecer, acho que agora está sendo o momento de colocar isso em prática", comenta.

Ela vem liderando o time carioca, que conta ainda com grandes atletas, como a ponteira Gabi, as centrais Juciely e Carol, e a líbero Fabi. "Agora vai ficar cada vez mais difícil porque as pessoas vão me estudar, vão saber quem eu sou, mas o intuito é me manter aqui no Rexona, esse era meu sonho, e me fixar na seleção durante os próximos anos", avisa.

Sua passagem pelo projeto social do clube faz com que ela veja o sucesso com outros olhos. "Era o sonho de todas aquelas crianças estarem aqui hoje. É mais do que uma conquista, foi muita luta e as coisas aconteceram mais rápido do que eu imaginava. Fico feliz. Entendo a responsabilidade que tenho de passar algo para as crianças que estão atualmente no projeto. A gente é um exemplo e tem de saber muito bem o que faz dentro e fora de quadra. Eu tento mostrar que é possível."

Como não poderia deixar de ser, ela sonha com uma participação nos Jogos Olímpicos. Esteve no grupo de convocadas para o Rio, mas acabou sendo cortada pelo técnico José Roberto Guimarães, que preferiu Fabíola. Agora, vê o Japão logo ali. "Tóquio está perto, sonho todo dia com os Jogos. Esse ano no Rio pude assistir a alguns jogos. Fiquei triste com o corte, mas não reclamo. Cheguei perto do sonho, mas confio muito na opinião do Zé. Senti aquele ambiente, atmosfera diferente de tudo que já passei. Dá mais gostinho de querer estar lá em alguns anos", conclui, torcendo para que 2020 chegue logo.

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