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Derrubador de bolas do Brasil não vê motivo para pânico

Alessandro Lucchetti - estadão.com.br

01 Junho 2012 | 15h 03

Mau início da seleção na Liga Mundial não preocupa Wallace, o atacante que se salvou em meio a más atuações

O torcedor que acompanha mais detidamente apenas os jogos da seleção brasileira está sendo apresentado agora a Wallace Leandro de Souza, o oposto que se distinguiu como o maior pontuador das três partidas do Brasil na fase incial da Liga Mundial, no Canadá. Além disso, esse oposto de 1,98m terminou a primeira fase também como o terceiro maior pontuador da competição, com 69 pontos. Mas que acompanha a Superliga já conhece Wallace há um bom tempo. Ele já foi o maior pontuador na edição 2008/09, pelo Sada/Cruzeiro. Talvez a explicação para esse descompasso esteja numa frase de Bernardinho, que já declarou, certa vez, que a Superliga não serve muito bem como parâmetro de observação.

Nesta curta entrevista por e-mail, o jogador fala sobre o momento da seleção, suas expectativas em ano olímpico e lembra seus primeiros anos no vôlei.

Você está começando a se inserir agora na Seleção Brasileira. Não acha que seu ingresso foi meio tardio e que já fazia por merecer uma chance antes? Ainda dá tempo de ganhar o entrosamento necessário para ganhar vaga no grupo que vai a Londres?

Não vejo como tardio. Acho que o jogador ganha espaço na seleção com o decorrer do tempo, com o passar dos jogos e, aos poucos, vai ganhando a confiança do grupo. Acredito que essa seja a hora de estar aqui, tentando ajudar a equipe da melhor forma possível. Quando a Londres, essa é a competição mais importante que temos e, com certeza, estou trabalhando para estar entre os 12. Poder ajudar o Brasil em uma edição de Jogos Olímpicos é o sonho de qualquer atleta.

Você começou no Banespa? Passou pela famosa peneira? Conte como foram seus primeiros anos no vôlei.

Na verdade, comecei com 16 anos no Centro Olímpico. Jogava na escola e fui parar lá por indicação de professores. Ali comecei a aprimorar meus fundamentos e levar o vôlei a sério. Aos 18, fiz a peneira do Banespa e fiquei durante dois anos. Depois fui para o Vôlei Futuro, onde eu consegui jogar e mostrar o trabalho que vinha sendo feito desde antes, e esta vai ser a quarta temporada no Sada Cruzeiro.

Mesmo numa seleção com problemas, você tem conseguido se destacar. Como se sente ao deixar a quadra, tendo a sensação de ao mesmo tempo ter produzido bem individualmente, mas com a equipe derrotada?

Não me sinto bem. Para mim, o ideal é sair com a vitória em todos os jogos, mesmo que eu tenha sido apenas regular. Quero ajudar o time, claro, mas o principal é que o resultado final seja a vitória. Jogar bem e a equipe não vencer, não me satisfaz em nada. Em relação aos problemas, acredito que tenha sido algo sofrido apenas na primeira etapa da Liga Mundial. Agora já estamos na segunda e, com o grupo mais entrosado, tenho certeza que vai ser melhor.

Quais são as principais virtudes e problemas que a Seleção apresentou na primeira fase da Liga Mundial?

O problema foi exatamente esse, de falta de entrosamento. Mas, na verdade, nem considero um problema grave, já que estamos com um grupo novo e isso é normal em todo início de trabalho. Tivemos várias virtudes. Posso destacar a força de vontade que o time teve em buscar um set comprometido. Isso mostra a força e união do grupo.

Qual é o levantador que te entendeu melhor ao longo de sua carreira e que soube explorar melhor seu potencial de ataque?

Todos os levantadores com quem joguei souberam explorar esse meu lado e conseguiram me entender. O William Arjona, por já ter jogado dois anos comigo, conseguiu bem. Aqui na seleção, há esse entrosamento um pouco maior com o Bruno, mas o Ricardo já pegou a bola que eu gosto de atacar. São dois grandes levantadores. Estou em boas mãos.