Fabio Motta / Estadão
Fabio Motta / Estadão

Flagrado em exame da FIVB, Murilo nega doping e diz ter a 'consciência tranquila'

'Minha preocupação é saber como isso (o exame) deu positivo', afirma jogador

Estadão Conteúdo

16 Maio 2017 | 17h22

Reprovado em exame antidoping surpresa pedido pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o ponteiro Murilo, ex-jogador da seleção brasileira de vôlei e atualmente defendendo o time do Sesi-SP, deu entrevista coletiva nesta terça-feira, em São Paulo, para explicar o seu caso. O jogador de 36 anos, que foi pego com a substância furosemida, proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada), negou que tenha se dopado e revelou surpresa com o fato de ter testado positivo neste exame.

A furosemia é um diurético, que ajuda na perda de peso, e é proibido no esporte profissional por possuir a capacidade de mascarar a ingestão de outras substâncias. Porém, apenas cinco dias após o caso estourar, Murilo convocou a coletiva de imprensa para assegurar que está com a "consciência tranquila" e que não usou de meios ilegais para ter sucesso dentro de quadra.

"Minha preocupação é saber como isso (o exame) deu positivo, como isso foi aparecer. Achei importante vir aqui e olhar nos olhos de vocês (jornalistas) porque sempre prezei pela transparência. Seria fácil enviar uma nota oficial, esperar a amostra B, mas achei importante olhar no olho de vocês. Fiquei muito surpreso, recebi a notificação no dia 4 de maio, um dia depois do meu aniversário. Acordei, abri o e-mail e vi que tinha dado positivo", revelou Murilo, que concedeu a entrevista ao lado do advogado Marcelo Franklin, que já defendeu o nadador Cesar Cielo em caso semelhante de doping, e do diretor do Sesi-SP, Alexandre Pflug.

Em seguida, o atacante garantiu que "não esperava" o resultado positivo para uso de doping e que já passou por "inúmeros testes" em sua carreira de clubes e seleção, "sempre muito tranquilo". Agora surpreendido ao ser reprovado neste teste surpresa da FIVB, o atleta afirmou estar à espera da contraprova do exame, que será divulgada dentro dos próximos 15 dias.

Desta vez, porém, Murilo fez pela primeira vez um exame antidoping em sua casa, depois de inicialmente ter sido procurado no Sesi. O exame ocorreu no dia 10 de abril e, independentemente do resultado da contraprova, o ponteiro reconheceu que já teve a sua imagem de atleta vitorioso "manchado" por este caso de doping.

"Quando se fala em doping, vem à cabeça o uso de esteroide, consumir algo que te faça ficar muito grande, que te permita levar vantagem e isso acaba sim manchando a imagem de qualquer atleta. Mas vocês sabem que não houve aumento de performance minha no último ano", ressaltou Murilo nesta terça.

O ponteiro foi submetido ao exame pouco menos de suas semanas depois de o Sesi ter sido eliminado pelo Taubaté nas semifinais da Superliga, que depois viria a ser conquistada pelo Cruzeiro na decisão. Curiosamente, ele teve o seu contrato renovado com o time paulista, por mais um ano, apenas um dia após a revelação do seu caso de doping, que poderá lhe render uma punição, dependendo do resultado da contraprova.

Murilo alega que, como a maioria dos atletas de alto nível, sempre fez uso de suplementos que ajudam a suportar as exigências do vôlei de elite. Cesar Cielo, por exemplo, também foi flagrado em exame antidoping com a substância furosemida, mas escapou de punição e recebeu apenas uma advertência, em 2011. Na época, o campeão olímpico e recordista mundial alegou inocência e disse que consumiu a substância em um lote contaminado de um suplemento alimentar que usava regularmente.

Murilo foi eleito melhor jogador do mundo em 2009 e ganhou dois títulos mundiais pela seleção, em 2006 e 2010, assim como faturou duas medalhas de prata olímpicas nos Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012. Em julho do ano passado, ele anunciou sua aposentaria da seleção, depois de ter sido cortado do grupo final de convocados do técnico Bernardinho para o Rio-2016, no qual o time nacional conquistou o tricampeonato olímpico, após os ouros em Barcelona-1992 e Atenas-2004.

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