Medalha de Zé Roberto é o uniforme

Ao contrário dos atletas, técnico campeão olímpico não leva medalha para casa. Por isso, José Roberto Lages Guimarães conserva em sua casa o material esportivo que utilizou na invicta campanha da seleção brasileira de vôlei nos Jogos de Barcelona, em 1992. ?Guardo tudo com muito carinho, principalmente o agasalho e a camisa da final contra a Holanda (vitória por 3 a 0). Eu não usei mais esse uniforme. Ele está lá, como uma boa lembrança?, conta. Nesta sexta, exatos 10 anos após a conquista da única medalha de ouro do Brasil em esportes coletivos na história das Olimpíadas ? feito que o futebol jamais conseguiu ?, Guimarães, 48 anos completados há oito dias, guarda mais que um uniforme. O atual treinador do BCN/Osasco voltou ao vôlei após dois anos como dirigente de futebol no Corinthians/Hicks Muse, e com um objetivo, o de dirigir a seleção brasileira feminina nos Jogos de Pequim, em 2008. ?Não digo que nunca voltaria ao futebol, mas tenho o sonho de ser candidato a um ciclo olímpico depois de Atenas. O Brasil tem atletas muito boas, pode formar um time vencedor?, acredita. Seu sonho é voltar a ser uma unanimidade nacional, como na fase em que levou ao topo um surpreendente sexteto formado pelos jovens Tande, Giovane, Maurício e Marcelo Negrão, além dos experientes Carlão e Paulão. Uma equipe que surpreendeu pela juventude (inclusive a do técnico, então com 38 anos), pela versatilidade dos jogadores, pela técnica apurada e pelo ousado esquema tático. ?Aquela foi a melhor de todas as gerações que vi jogar?, diz. ?A equipe medalha de prata em Los Angeles/84 era muito boa, mas tinha uma carência muito grande no bloqueio. A de Barcelona/92 foi mais completa, mais dinâmica em todos os aspectos.? Aqui é meu lugar - O vôlei mudou muito em uma década. Constantes alterações nas regras revolucionaram a modalidade em termos táticos. A liberação da zona de saque, a introdução do líbero e o final da vantagem na contagem de pontos são aspectos que fizeram com que os treinadores repensassem seus conceitos de estratégia. Zé Roberto diz estar reaprendendo tudo, agora no comando de uma equipe feminina. Essa percepção ? e a certeza de que sua praia é de fato o vôlei ? ele teve durante os Jogos Olímpicos de Sydney, há dois anos. Convidado pela TV Bandeirantes para atuar como comentarista, o então executivo da Hicks Muse se licenciou do cargo de diretor do Corinthians e voou para a Austrália. Seus olhos brilhavam a cada entrada no ginásio. ?Ali eu tive a certeza de que meu trabalho era o voleibol?, lembra. Em maio de 2001, desligou-se do futebol para assumir o BCN/Osasco. Assim como Zé Roberto, a seleção brasileira masculina parece ter reencontrado seu caminho, agora sob o comando de Bernardinho. Depois de 92, a equipe masculina teve altos e baixos. Venceu a Liga Mundial de 93 e foi quinta colocada em Atlanta/96, ainda sob o comando de Guimarães. Ficou em quarto lugar no Mundial do Japão, em 98 e, nos Jogos de Sydney, com Radamés Lattari, nem chegou perto do pódio. Ficou em sexto lugar. A fórmula da vitória, reconhece o técnico, é difícil de ser encontrada. Luiz Felipe Scolari conseguiu reunir os ingredientes na seleção brasileira de futebol em 2002. Não por coincidência, numa trajetória muito semelhante à da seleção de Zé Roberto em 92.

Agencia Estado,

08 Agosto 2002 | 18h02

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