Meninas do vôlei reclamam do short

A seleção brasileira feminina de vôlei fez sucesso na última competição internacional, o Grand Prix. Além do quarto lugar ? surpresa para um time tão jovem e totalmente modificado ? as meninas do técnico Marco Aurélio Motta causaram furor entre japoneses, chineses, filipinos... As brasileiras são consideradas verdadeiras musas do esporte na Ásia, desde Leila, a predileta dos orientais, que hoje está atuando no vôlei de praia. Leila, que já recebeu até proposta de casamento e para fazer um filme, deixou sucessoras no vôlei de quadra. Esse ano, as jogadoras ainda contaram com o novo uniforme para chamar mais atenção do que russas e chinesas, as melhores do vôlei na atualidade: o short, que é curto para latinas de quadris mais largos. Fabricado pela Olympikus ? desde 1997 é a marca que fornece material esportivo para as seleções de vôlei ?, o short é um dos mais curtos dos últimos tempos. ?Estranhamos no início aquela movimentação do público nos jogos. Não nos conheciam, sequer tinham idéia se nós jogávamos bem ou mal. Mas quando entrávamos na quadra, era flash para todo lado... Quer dizer, só quando a gente estava de costas?, comenta a levantadora Marcelle. A jogadora, que diz ter se sentido como a popstar Madonna, conta que até as adversárias observavam o uniforme das brasileiras. ?Principalmente as russas. Acho que ficaram com inveja porque elas não têm bumbum e são muito altas.? A meio-de-rede Valeskinha comentou que a seleção brasileira foi a mais fotografada do torneio, com destaque para a oposto Luciana, a nova musa. ?Dava para perceber que os meninos tiravam foto do nosso bumbum. As máquinas, muitas vezes com zoom, eram sempre apontadas para a altura da nossa cintura.? O namorado da oposto Scheilla, uma morena muito bonita, exigiu que ela faça a marcação do bloqueio e da defesa ? quando colocam as mãos para trás e fazem sinais ? longe do bumbum, bem acima da cintura. ?A TV focaliza os nossos dedos e aproveitam para mostrar tudo?, observa a atleta. A designer da Olympikus Fabiana Canha explica que o short tem de ter obrigatoriamente cinco centímetros do cavalo até a bainha ? cerca de quatro dedos. Regra da Federação Internacional de Vôlei que estabelece multa de US$ 5 mil para as seleções fora do padrão. Integrantes da FIVB medem com fita o tamanho do short antes dos campeonatos. Desde o Mundial de 1998, a entidade exige uniformes sensuais. As cubanas, por exemplo, usam macaquinhos muito justos. Como são fortes, ficam poderosas. ?O problema é que não levam em consideração que existem biótipos diferentes. Nas chinesas, que não têm bumbum e nem quadril, o short parece maior, quase uma bermuda.? ?Já virou mania. Após os ralis, sempre o puxamos para baixo?, conta a meio-de-rede Karin, que, ainda assim, prefere o conjunto short e camisa ao macaquinho ? na época de Bernardinho, a seleção brasileira experimentou um macaquinho, mas não aprovou. O treinador chegou a dizer que ?parecia invenção de velho tarado?. ?Quando levantávamos o braço, o macaquinho ia até a cintura?, falou Karin. Somente na cor verde musgo (há opções diferentes para as camisas, em verde, amarelo e branca), o uniforme é de poliamida e elastano ? para ficar mais justo ao corpo. ?Estamos fazendo pesquisas para mudar o tecido. As meninas querem que ele seja mais firme para não subir tanto?, observa Fabiana. A Confederação Brasileira (CBV) encaminhou pedido para aumentar o short, mas não obteve resposta. ?Ele seria bárbaro se tivesse um tecido mais duro e fosse um pouquinho maior?, opina a líbero Fabi, que por causa da posição ? só faz defesa ? é a que mais sofre com o modelito. ?Meu bumbum fica sempre à mostra...?

Agencia Estado,

21 Agosto 2002 | 17h37

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