Ouro do vôlei completa 10 anos

O caçula daquela memorável conquista do vôlei brasileiro - até hoje é a única medalha de ouro olímpica do País em um esporte coletivo - era Marcelo Negrão, então um garoto de 19 anos, uma ?mola? humana que acertava a bola no ataque a 3,60 metros de altura e com uma velocidade espantosa. Foi de um saque de Negrão que saiu o último ponto da decisão contra a Holanda, em 9 de agosto de 1992, há exatamente dez anos. Marcelo Negrão tem muitas lembranças da conquista, que garantiu uma carreira de sucesso - jogou nos mais importantes clubes do Brasil e na Itália - mas não foi suficiente para resistir às dificuldades de uma contusão. Parado há 15 meses, Marcelo Negrão só teria o contrato com o Suzano renovado se contasse com patrocínio pessoal, como impôs o técnico Ricardo Navajas. "As pessoas nunca se lembram muito do que um brasileiro já fez. E, para elas, eu tenho de dar uma resposta de superação, assim como fez Ronaldo." Os gols de Ronaldo na Copa do Mundo da Coréia/Japão foram um estímulo adicional para Marcelo Negrão, que garante "nunca ter perdido a crença na recuperação." Aos 29 anos, 1,98 m e 100 quilos (três acima de seu peso normal), Marcelo Negrão tenta voltar a jogar, após a lesão no joelho, o mesmo tipo de contusão que afastou Ronaldo do futebol por 17 meses. Operado em maio do ano passado, Marcelo Negrão já voltou a saltar - "faço metade do volume que pulam os outros jogadores durante os treinos" -, está fazendo exercícios para melhorar a força do joelho e deve voltar na Superliga, em dezembro, jogando pela Ulbra, de Porto Alegre. "É o time que acreditou na minha recuperação." A conquista de Barcelona foi de um time jovem e que surpreendeu, vingando a geração de prata (de William, Xandó, Montanaro, Renan e Bernard), que tinha sido vice-campeã nos Jogos de Los Angeles, em 1984. A seleção tinha Maurício, Tande, Marcelo Negrão, Paulão, Carlão e Giovane. E fez uma campanha perfeita - venceu a Coréia do Sul, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), Holanda, Cuba, Argélia, na fase de classificação, os Estados Unidos e a Holanda, na decisão. Perdeu apenas três sets até chegar ao pódio. Marcelo Negrão tem boas lembranças daquela seleção de 1992... "Era um grupo bom, tinha amizade, treinava muito duro, todo dia, os jogadores eram motivados, todo mundo tinha o mesmo objetivo, não haviam divergências antes do ouro..." Do momento da conquista em si, ele tem poucas recordações: de ter deitado no chão, após o último ponto, de saque, com todo mundo pulando em cima, e de ter corrido para um telefone público, no ginásio Palau Saint Jordi, em Barcelona, para falar com os pais. A medalha de ouro nunca mais saiu da gaveta. "Fui ver agora, por causa da homenagem... me pediram para levar", comentou Marcelo Negrão (a Confederação Brasileira de Vôlei promove um almoço nesta sexta-feira, em São Paulo, para comemorar o feito). E mesmo a fita, com o último ponto, nunca mais foi revista. "Acho que é porque ainda estou jogando."

Agencia Estado,

08 Agosto 2002 | 17h49

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