SERGIO CASTRO | ESTADÃO CONTEÚDO
SERGIO CASTRO | ESTADÃO CONTEÚDO

Técnico quer fazer de Barueri a nova 'cidade do vôlei'

Zé Roberto considera fundamental que projeto tenha apoio forte, para viabilizar trabalho sólido na formação de atletas

Demétrio Vecchioli, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2017 | 17h00

Há quatro anos, após levar a seleção brasileira feminina ao ouro em Londres, Zé Roberto também iniciava um projeto ambicioso, em Campinas. Porém a equipe, que começou com elenco fortíssimo, durou apenas dois anos. Acabou depois que o treinador anunciou dedicação exclusiva à seleção e que a patrocinadora foi vendida.

Zé Roberto garante que aquele projeto e o atual são diferentes. Em Barueri, ele quer massificar o vôlei a ponto de, se um dia precisar sair, o time continuar. “Independentemente da minha pessoa, é muito importante conseguirmos que a cidade abrace o vôlei como a população de Osasco abraçou. Que tenha orgulho do time’’, diz.

A comparação com Osasco é natural. A cidade vizinha desenvolve o vôlei há mais de duas décadas e o próprio Zé Roberto trabalhou lá de 2000 a 2005. “Foi o grande projeto da minha vida’’, lembra. Lá, foi tricampeão brasileiro enquanto, como coordenador da base, revelava Jaqueline, Paula Pequeno e Mari, entre outras. Desde 2009, porém, Osasco tem dois clubes. Um que é referência na base (o Bradesco, antigo Finasa), outro no adulto (o Vôlei Nestlé).

Para Zé Roberto, a chave de seu novo projeto – diferente do de Campinas – é ter base e adulto num clube só. No caso, o Grêmio Recreativo Barueri (GRB), filiado à CBV e ligado à prefeitura. Esta entrou no projeto sem dar dinheiro, mas cedendo estrutura, incluindo o moderno ginásio José Corrêa. Lá, a estreia na Superliga B teve público de 3,7 mil pessoas.

Uma peneira já selecionou 60 meninas, mas, para o efetivo início das categorias de base, Zé Roberto aguarda a aprovação de um projeto de lei de incentivo estadual. A Hinode deve ser uma doadora, em troca de isenção fiscal. Foi a empresa, do ramo de cosméticos, que, segundo o treinador “salvou o projeto’’, em dezembro.

Com as melhores jogadoras do País já empregadas – até as baruerienses da seleção sub-19 preferiram ficar no Bradesco –, Zé Roberto montou seu time com quem havia sobrado no mercado em outubro. Destaque para a medalhista olímpica Erika, de 36 anos, que estava havia oito meses sem pegar numa bola e estreou apenas três semanas após o primeiro treino. O nível, porém, é baixo. Exceto a ponta Suelle, ex-Sesi, que vale 4 pontos no ranking da CBV (de 7 a 1), e a central Fê Isis, que vale 3, todas são de dois para baixo.

Quando a notícia da criação do time se espalhou, não faltou quem se oferecesse para jogar com o técnico da seleção, mas Zé Roberto fechou o grupo. “Quando o elenco chegou a 11 atletas, comecei a ficar com receio. Não tinha nada para oferecer.’’

Atendendo ao convite de Zé Roberto, todas ficaram dois meses sem saber se teriam salários, pagos retroativamente quando a Hinode acertou o patrocínio. Nesse período, o treinador garantiu, via Sportiville, moradia e alimentação. Na conquista da Taça de Prata, ninguém tinha salário.

As coisas só melhoraram com o patrocínio, acertado um dia antes do prazo para pagamento das taxas exigidas pela CBV para a disputa da Superliga B. Mesmo assim, todos continuam recebendo muito abaixo do que pagam os clubes da elite, confiando que, conseguindo o acesso, as coisas melhorarão.

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