JF Diorio/Estadão
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Tifanny ganha torcida organizada em Osasco em jogo pela Superliga

Grupo de pessoas organiza caravana para ir até o ginásio José Liberatti para torcer pela jogadora

Paulo Favero, Estadão Conteúdo

02 Fevereiro 2018 | 22h34

A presença de Tifanny Abreu, a primeira atleta trans a disputar a Superliga Feminina de vôlei, em Osasco (SP), para a partida do Vôlei Bauru contra o Vôlei Nestlé, nesta sexta-feira, pela sétima rodada do returno da competição, motivou um grupo de pessoas a organizar uma caravana para ir até o ginásio José Liberatti torcer pela jogadora.

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O resultado pouco importou. O que era relevante para essa turma era mostrar apoio a Tifanny. "Fizemos um evento no Facebook e 150 pessoas confirmaram e outras 500 manifestaram interesse em ir", explicou Amara Moira, trans que foi uma das organizadores do evento. "Ela poder entrar na quadra é uma importante mensagem para a sociedade", continuou. A maioria veio de São Paulo, cidade vizinha, e ficou na torcida por Bauru.

Apesar da preocupação de que pudesse existir qualquer ato hostil dos torcedores de Osasco em relação a Tifanny, o que se viu foi o contrário. Na hora que foi anunciada, o que se ouviu foram alguns aplausos vindos das arquibancadas. "A gente até achava que viriam pessoas para torcer contra ela, mas aqui está um clima de paz", comentou Amara Moira.

Thomas Pereira também reforçou a torcida por Tifanny em Osasco. Para ele, o esporte pode ser fundamental para quebrar os preconceitos. "O acesso de trans no esporte é bem baixo por causa da grande evasão escolar. As aulas de educação física ajudam a aumentar o preconceito com separação de homens e mulheres", contou.

Amara Moira também argumenta que o nível de testosterona de Tifanny é muito baixo. "Quando você usa bloqueador de testosterona, perde muita força. Ela saltava 3,60 metros antes, agora chega a 3,15 metros, igual a outras mulheres. Há uma transformação grande do corpo", disse, em uma referência às críticas de que a atleta levaria vantagem por ter sido homem até os 30 anos.

O grupo no ginásio tinha cerca de 30 pessoas, que se orgulhavam de carregar cartazes com inscrições de suas bandeiras. "Tem trans na arquibancada, mas também tem trans na quadra", dizia um deles. Outro estava escrito "#TeamTifanny" e alguns torcedores carregavam símbolos do movimento LGBT.

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