Vôlei: seleção embarca sem pressão

A seleção brasileira feminina de vôlei embarcou para um torneio amistoso na Itália antes de viajar para a Alemanha, onde disputa o Mundial do dia 30 a 15 de setembro. Jogadoras e técnicos viajaram sem responsabilidade de brigar pelo título. Segundo eles, Rússia e China devem disputar o primeiro lugar. Na Itália, as brasileiras jogam contra os Estados Unidos e a própria Itália. Depois, viajam para a cidade alemã de Leipzig, onde enfrentam Polônia, China, Austrália, Grécia e Tailândia. O técnico Marco Aurélio Motta, que está se recuperando de um início de pneumonia, ficou satisfeito com a quarta colocação do Brasil no GP da Ásia, mas lembra que o Mundial será uma competição muito difícil para suas atletas. "Temos de ser realistas. Esse grupo está junto há uns dois meses. Outros times, como China e Rússia, jogam com o mesmo elenco há três, quatro anos. Vamos viajar com a mesma mentalidade que no GP - sem responsabilidade de brigar por título." Segundo Marco Aurélio, as brasileiras estão em um grupo intermediário, que deve ficar entre a terceira e sétima posições. "Abaixo de China e Rússia, estão Brasil, Cuba, Japão, Estados Unidos, Polônia e Alemanha, com nível técnico equilibrado." A central Karin, uma das mais experientes do grupo, afirma: "Estamos tranqüilas. Sabemos que superamos as expectativas de muita gente quando ficamos em quarto lugar no Grand Prix, mas também sabemos até aonde podemos chegar. Se ficarmos entre as quatro primeiras, já será um ótimo resultado porque o Mundial tem muito mais seleções do que no GP da Ásia. O jeito é jogar solto". Karin aponta a novata Sassá como revelação: "Todas foram muito bem, ficaram tranqüilas e não amarelaram em nenhum jogo. Elas jogam sem pressão, mas quando precisam sabem ser responsáveis. A Sassá, que é baixinha, é habilidosa, passa, ataca e defende muito bem." Com 1,79 m e apenas 19 anos, Sassá só entrou na equipe porque Jacqueline teve um problema circulatório na mão e ficou fora do grupo. "Foi uma convocação inesperada para o Grand Prix, mas procurei jogar sem a pressão que a torcida e a imprensa tinham colocado na gente. Nunca tinha participado de uma competição de nível tão elevado e acho que no Mundial será mais difícil ainda", disse a novata. Quem também surpreendeu na Ásia foi a levantadora Marcelle, que levou o prêmio de melhor jogadora da posição. Antes de chegar à seleção, Marcelle estava se recuperando de uma cirurgia no joelho. "Fiquei sem jogar seis meses, mas ainda assim consegui jogar o GP inteiro. Estou com os pés no chão e se chegarmos entre as quatro já teremos cumprido nosso papel." Antes do embarque para a Itália, Marco Aurélio falou um pouco sobre o desfalque das cinco atletas que pediram dispensa em junho, em especial sobre Virna, considerada a melhor atleta do País. "A Virna falava uma coisa para imprensa e outra para o pessoal do vôlei. Para pedir dispensa, me ligou na Suíça e disse que não poderia jogar porque estava com problemas pessoais (Virna tinha feito uma cirurgia plástica para colocar silicone nos seios), mas para outra pessoas dizia que estava insatisfeita com meu trabalho. Depois, quando acabou o GP, disse para a imprensa que se pudesse voltaria para o Mundial, mas não me ligou para dizer o mesmo. Se me achou no hall do hotel na Suíça para pedir dispensa, como não me acharia no Brasil?" De toda forma, Marco Aurélio afirma que essa história já acabou: "Não é um ponto final, é só um ponto. Não tenho nada contra as jogadoras, mas contra suas atitudes. Se mudarem de atitude, significará que reconheceram seus erros."

Agencia Estado,

20 Agosto 2002 | 19h32

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