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À espera do Carrossel

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

17 de dezembro de 2013 | 21h03

Carles: Realmente começou hoje o Mundial Interclubes, com a participação do campeão da Europa e amanhã, o da América do Sul, sempre com a expectativa de que pinte uma zebrinha. O Bayern já cumpriu, com um jogo correto e suficiente. A grande novidade, ficou por conta da tecnologia do “ojo de halcón” ou como vocês dizem em português, Challenger, em testes e visando justamente ser utilizado na Copa 2014.

Edu: Põe suficiente nisso. No primeiro tempo ainda se propôs a fazer um treino forte, pressionando muito os chineses, mas logo o time percebeu que era energia desperdiçada. Mesmo assim, me impressionou o visível ‘estilo Lippi’ mesmo em uma equipe tecnicamente limitada.

Carles: Gostou de rever o Conca e o Muriqui?  O argentino não é o mesmo do campeão Fluminense, o brasileiro eu não conhecia.

Edu: Muriqui perdeu uma grande chance, não foi bem. Achei  Elkeson, ex-Botafogo, o melhor do time, o mais ativo e fisicamente mais inteiro. Dario Conca está se despedindo da China, já acertou sua volta para o Fluminense, justo no momento mais pouco digno dos últimos tempos nas Laranjeiras, depois do Tapetão. Mas continua sendo ídolo no Rio. Essa moleza que Pep Guardiola encontrou certamente não será o que veremos na estreia do Atlético, ao menos quanto ao entusiasmo do time marroquino do Raja, que terá o suporte de sua torcida.

Carles: Esse é o grande desafio do Galo, enfrentar o time da casa, num país de uma grande paixão pelo futebol, onde se costuma acompanhar e conhecer todos os craques das grandes ligas europeias. No final, o Gaúcho joga ou não? Hoje, apesar do jogo treino, já desfrutei vendo Götze jogar. Sigo achando que ele era o grande craque daquele Borussia e não Reus. Acho que não estamos muito de acordo nisso.

Edu: Poder vir a ser, mas ainda prefiro Reus. Gaúcho joga, sim, andou até respondendo a uma provocação de um jogador Raja. Veja você, os marroquinos fazendo guerra de nervos. O técnico Cuca fez no Atlético algo que muitos evitam fazer quando ganham a Libertadores e se dão mal: manteve o ritmo de jogo para a maioria dos titulares no Campeonato Brasileiro. Não poupou quase ninguém, fez um torneio bastante regular e pôde realizar todos os testes que pretendia. O time ainda tem um problema sério de falta de criatividade no meio de campo, uma missão entregue a Ronaldinho, que é muito instável tecnicamente, como você sabe. Ou seja, o Galo pode ficar pendente dele e se dar mal. Mas se mantiver seu volume de jogo, não deve ter problemas contra esse Raja e pode até dar uma canseira no Bayern. Mas aí já é outra história.

Carles: Nestas semifinais, só o grande tem a perder porque o objetivo mesmo é o jogo de sábado. Então, pelo que você me conta, esse Atlético é uma espécie de Atlético de Madrid, um time de jogo intenso e associativo? Quem faz de Diego Costa? Jô? E pelo que sei, desde a conquista da Libertadores, o time só perdeu mesmo o Bernard. Não sentiu a ausência do jogador agora no Shakthar?

Edu: Sentiu sim, mais pela dinâmica de jogo porque o ataque não chega a ser um grande problema. Além de Jô, por ali está o principal jogador do time hoje, Diego Tardelli, um meia ofensivo que evoluiu demais e que é eficiente tanto na preparação quanto na conclusão. E há outras alternativas boas no setor, como Guilherme e Fernandinho. A intensidade do time também é um diferencial e é aí que se assemelha ao xará de Madrid. Mas ainda faltam jogadas pelas laterais e um pouco mais de condução de bola no meio de campo, esse é o problema. Os volantes, Pierre e Josué, são bons marcadores, mas um desastre na criação. Certamente nessa questão o time de Pep levará uma enorme vantagem.

Carles: Espero ansioso por ver esse Carrossel Mineiro em ação, principalmente para poder ver o reencontro Pep e Gaúcho no sábado.

Edu: Só espero que não vejamos o Carrossel Bávaro.

 

 

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