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A hora dos abusados

COPA BIPOLAR

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

21 de junho de 2014 | 19h49

Edu: Faltava que dois gigantes levassem sustos. Não falta mais. Eu diria que ninguém mais é virgem nesta Copa.

Carles: No pacote da classificação para a Copa deveria vir incluído o susto, tem para todos. Talvez um prêmio excessivo para preguiça argentina. Pela segunda vez, eu diria. Sorte ou economia de energia dos Messi e companhia?

Edu: Sorte e um empurrãozinho do homem do apito, porque o pênalti de Zabaleta foi desses escândalos padrão Fred, Chielini e outros. Não sei se economia de energia justifica numa hora dessas, faltou futebol mesmo. E fico imaginando o que significaria para esse valoroso time iraniano, treinado pelo português Carlos Queiroz com muitas dificuldades estruturais, um empate contra Messi. Os pontinhos nem fariam falta para a Argentina nesse grupo que é uma baba, mas teriam um peso imenso para os persas.

Carles: E mais tomando o gol aos 92, minuto fatídico que andou assombrando todas as latitudes do planeta futebol, este ano. Achei o time do Irã muito ordenado e mais do que digno, o que não vai servir de muito para o fleumático Queiroz, que deve deixar a direção dos persas depois de finalizar a Copa por discrepâncias com o presidente da federação. A boa notícia é que isso pode demorar mais do que o esperado, por que o time apresentou sua candidatura ao segundo lugar no grupo, com a licença de bósnios e nigerianos – depois de ver a mutação ganesa do primeiro para o segundo jogo, os africanos voltam a ser candidatos a tudo e os times europeus é que começam a sofrer os efeitos do banzo.

Edu: As manifestações pós-jogo desse Alemanha e Gana foram bem significativas. De um lado, os irmãos Ayew e o técnico James Appiah lamentando os gols perdidos e a fracassada tentativa de garantir a vitória apôs a virada. De outro, os alemães, com Löw à frente, mostrando um indisfarçável alívio pelo empate. O fato é que foi criada uma jurisprudência neste Mundial: respeitar não significa estar submisso, abrir mão do jogo para se defender. O negócio é ser abusado, algo levado muito a sério principalmente pelos times africanos, mas que virou um mantra contra as retrancas para qualquer seleção menos badalada.

Carles: É verdade que os alemães passaram apuro, comprovado pela compulsiva repetição do tique do bom do Joachim na beira do gramado. Também é preciso reconhecer que eles não renegam ao seu jogo aberto e às vezes desprotegido, e importante: sem rigidez absoluta de modelo. Jogar sem um legítimo 9 pode ser bom, mas não infalível e, dizem, corrigir é de sábios, né seo Del Bosque? É fundamental ter um plano B, chame-se Schweinsteiger, Klose ou ambos. Por certo, Miroslav celebrou muito o gol, seja pelo empate, por marcar no primeira que tocou ou por que já garantiu ao menos, acompanhar o Fenômeno nas enciclopédias.

Edu: Um jogaço desses e é o que mais se fala por aqui, do recorde de Ronaldo que certamente será pulverizado por Klose. Convenhamos, dá igual, ainda que esse tipo de marca seja importante para jogadores que valorizam mais seus sucessos pessoais do que as verdadeiras conquistas coletivas. Numa Copa dessas, com demonstrações seguidas de grande dedicação pelas ações em conjunto, propostas por equipes surpreendentes como a Costa Rica, a Colômbia e mesmo o México e a Holanda, parece até um contrassenso.

Carles: Mas ele comemorou com especial satisfação, Zé, não tenho dúvidas disso, não me seja ranzinza que ele nem sabia se ia ter chance de jogar e agora já tem mais uma  historia para contar aos netos. Outra coisa é que tenha muita gente por aí ansiosa para ser destrutivo e vingativo e entendo que isso irrite. Posto isto, amanhã tem mais alemão, os ianques de Klinsmann e a última chance de Portugal. Cobertura especial 500 a.C.?

Edu: Te conto ‘in loco’ sobre a odisseia dos patrícios contra os ianques. Já adianto: Manaus está parecendo mais uma sucursal de New Jersey do que um reduto dos nossos antepassados, que andam meio de farol baixo. A americanada invadiu a selva…

Carles: Fico esperando notícias, torcendo para que os lusos salvem a honra da península e que, desta vez, os norte-americanos deixem seus dólares e ponto.

 

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