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Associação Hispano-Brasileira de Futebol

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

28 de julho de 2013 | 19h59

Carles: Com a chegada de Neymar ao Barça e a provável estreia na sexta-feira contra o Santos no Camp Nou, a mídia só fala na dupla Neymar-Messi. Já aquele torcedor mais sensato aposta numa conexão de Neymar com Iniesta. Poucos acreditem que Messi se esmere em compartilhar a bola com quem quer que seja e muito menos com o craque brasileiro. Essas duplas hispano-brasileiras parecem cada vez mais frequentes no futebol de primeira linha e este ano vamos ver umas quantas. Deve dar boa química essa dupla Iniesta-Neymar, não acha?

Edu: Eles têm tudo a ver, são ótimos em mudança de ritmo e com a bola no pé. E podem se completar principalmente no que são diferentes, Iniesta no drible curto e Neymar no drible longo, mais veloz. A presença dos dois por perto vai facilitar espaços na marcação para um e outro. Além de tudo vai pintar Jordi Alba por ali. Pode estar começando a se formar melhor ala esquerda em muito tempo no futebol.

Carles: E provavelmente o argentino vai se aproveitar muito dessa ala, não só pelo quantidade de assistências que pode receber, mas porque provavelmente os adversários vão ter que repartir ainda mais a atenção e ele vai poder desfrutar de um pouco mais de liberdade. Falando em duplas entre espanhóis e brasileiros, tem uma composta por dois jogadores que eu gosto muito de ver atuar e que ainda não se consolidaram como parceiros. Nem sei se vão ter chance disso. Refiro-me a Juan Mata e Oscar no Chelsea. São jogadores que dão praticamente a mesma coisa ao time, que não é pouco, um pela direita e outro pela esquerda. Podia ser outro grande tandem binacional, não?

Edu: É uma associação que teve os melhores momentos com Benitez como técnico, acredite se quiser. São totalmente compatíveis e fazem com que o time jogue no ritmo deles, deram uma reviravolta naquela lentidão do Chelsea. Mas neste momento temo pelos dois. Não acho que Mourinho seja sensato e humilde o suficiente para mudar suas convicções e colocar três jogadores parecidos juntos, porque há também o Hazard, que foi muito elogiado outro dia pelo técnico. Acho que vai sobrar ou o para o brasileiro ou para Juan Mata, justo quando a parceria poderia se consolidar de uma vez.

Carles: Exatamente, o meu medo era o gajo e suas convicções quase irredutíveis. Mas, enquanto isso, bem perto dali, tem outra dessas duplas formadas pelo acaso. Refiro-me aos novos Reds, onde tudo é atenção para o uruguaio Luis Suarez mas tem dois que chegaram quietinhos e estão arrasando na pré-temporada. Philippe Coutinho fez um golaço neste fim de semana e Iago Aspas que tem feito um atrás do outro. Se o espanhol controlar seus impulsos, pode ser uma das revelações europeias da temporada. De Coutinho a gente vem ouvindo falar já faz algum tempo por aqui, mas confesso que não o vi jogar muitas vezes e não sei se se parece a Aspas quanto ao caráter explosivo.

Edu: Eu diria que ele precisa de uma dose maior de caráter explosivo, isso sim. Claro, é muito jovem, ficou intimidado no tempo que passou na Inter, principalmente porque chegou bem no momento da queda técnica do time e passou pelas mãos de alguns treinadores que queriam resultados imediatos. Mas é um tremendo jogador, tecnicamente refinado e que está sabendo, parece, aproveitar a vivência competitiva na Premier. Só acho, pelo que vi do Aspas, que têm estilos muito próximos o que poderia ser uma vantagem num contexto latino, de toque de bola. No Liverpool, duvido que atuem juntos no time titular. A saída é aproveitar os momentos em que compartilharem de vez em quando, o que fatalmente vai acontecer na longa temporada.

Carles: É, não vejo o Liverpool adotando um sistema que mime a posse de bola, mas, quem sabe, nada está perdido no planeta futebol. No meio de campo do Bayern de Pep não tem exatamente uma dupla, mas um trio, com a vantagem de que o brasileiro Luís Gustavo e o espanhol Javi Martinez vão ter um híbrido para ajudar a que se entendam, pelo menos fora de campo – Thiago Alcântara é um primor falando castelhano. Sei o que você vai dizer, que é pouco provável que joguem juntos, que apesar de Guardiola, tem o Schweinsteiger, acionista majoritário daquela zona do campo.. Quem mais, quem mais?

Edu: Difícil, até porque Luís Gustavo tem boa chance de sair, valorizado pelo desempenho na Confecup. Inclusive Atlético de Madrid é um dos candidatos. Mas ali no meio de campo do Bayern acho que será difícil sobrar lugar até mesmo para o Javi, quando Götze estiver pronto. Provavelmente Guardiola vai privilegiar os caras mais ofensivos. O que será legal de ver é o Atlético, falando nisso. David Villa terá dois brazucas por perto, mas acho que a associação com o Diego Costa é mais esperada do que com o Baptistão.

Carles: Quanto ao Bayern, aposto no Javi Martinez  para a cabeça da área. Essa fórmula está na mente de Pep desde os tempos de Barça, aguardemos. Interessante essa dupla Costa-Villa, tem tudo para ser rentável e goleadora. Apesar de consagrado, Villa não deixa de ser uma aposta de Simeone e, no fundo, ninguém sabe bem se ele vai recuperar o velho instinto. Baptistão vem sem pressão e isso é bom para ele. No esquema de El Cholo os atacantes se desgastam muito e ele sempre troca um dos dois durante o jogo. Um cara espertíssimo como Baptistão vai aproveitar muito essa chance de entrar com ritmo e vai fazer muitos gols. Alternativamente pode pintar outra dupla hispano-brasileña nesse Atleti, Oliver-Baptistão, com o menino da sub-20 vindo de trás. Não esqueçamos que os “colchoneros” terão três competições importantes este ano.

Edu: Leo Baptistão é um cara do futsal, amigão do Neymar, gosta de jogo curto, ao contrário do Diego Costa. Pode ser um complemento legal lá na frente. Muito interessante esse time do Atlético apesar de ter perdido o Radamel. Pelo jeito, em matéria de associação Brasil-Espanha, nas ligas europeias não vai faltar assunto no 500aC.

 

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