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Barça passeia, Madrid sofre, Diego Costa executa

Carles Martí e José Eduardo de Carvalho

18 de agosto de 2013 | 20h39

Carles: Como todos prevíamos, ‘La Liga’ já apresentou suas estrelas: Seferovic, Mascherano, Isco, Diego Costa…

Edu: Muita complacência sua com Mascherano. Só por ser amigo do Tata? Porque a verdade é que jogou contra ninguém…

Carles: Para quem chegou à primeira rodada como o grande vilão, como a única peça quebrada do brinquedo desejado, Javier mostrou mais uma vez quem é o jefecito, nem que seja pelo seu passado alvinegro. Lógico que jogar contra ninguém facilita as coisas, só que o maior mérito dele nos 7 a 0 contra o Levante foi tático mais que técnico.

Edu: O que ficou claro é que ganhou confiança e que pode ser a voz de Tata Martino dentro de campo, já que Messi sempre estará entretido com as coisas mais decisivas. Mesmo assim, foi o tipo de jogo que só vale pela estatística. Nem o Santos provavelmente faria pior jogando um pouco sério contra o Barça. E, para Neymar, o campeonato começa na segunda rodada.

Carles: Tata chegou com aquele jeito argentino de ser, aquela amabilidade única que responde a um elogio, a uma crítica ou a um agradecimento com um “No, por favor…” seguido de uma milonga que te convence do que quer que seja. Aparentemente e diante da imprensa, passou a semana toda se desculpando, dando a impressão de que era um pau mandado, sem autonomia, para no fim de semana fazer o que bem entendeu. Além de deixar clara a sua opinião sobre a trágica pré-temporada caça-níqueis. Será que essa é a verdadeira versão ‘rosarina’ do Barça ou foi só um efeito dos fracos ventos que sopraram de Levante sobre o Camp Nou?

Edu: Não consegui ainda identificar a versão ‘rosarina’ como você. Acho até que ele foi bem conservador na escalação, preferiu manter o time do ano passado e, para fazer média com a torcida que esperava ver Neymar, também deixou no banco dois titulares que jogaram com a ‘Roja’ no meio de semana, Iniesta e Alba, sugerindo que estava poupando os craques. Tanto era uma desculpa para amenizar a reserva de Neymar que Dani e Alexis, que também jogaram por suas seleções, foram titulares. Não entendi bem Tata Martino, pra falar a verdade. Mas tudo ficou sublimado pelos ventos fracos de Levante. No Bernabéu, por outro lado, passou uma pequena tempestade e a dupla Marcelo-Isco teve que salvar a estreia.

Carles: Iniesta, um mero álibi para o Neymar? Um pouco exagerado, não? Quanto a Isco, deve ser o fiel da balança da próxima geração de jogadores espanhóis. Faz tudo com a alegria de sua origem andaluz que não pode negar e mostra a maturidade de uma longa vivência, apesar dos seus 21 anos. De Gea, Illarra, Morata, Tello fazem parte desse futuro, mas desconfio que Isco começa a apresentar suas credenciais como líder da safra.

Edu: É paradoxal e um ótimo sinal que um espanhol da novíssima geração decida uma partida com tantos galácticos envolvidos. O jogo não foi transmitido para o Brasil, mas pelo que andei lendo dos amigos de Madrid, os velhos defeitos do miolo da zaga voltaram a aparecer, expostos pelo atrevimento desse Betis, e comprometeram todo o trabalho do resto do time, que pareceu tão azeitado na pré-temporada. Sem contar um trauma que não tem fim: Casillas no banco. Ancelotti estava em paz com a galera até agora.

Carles: Pode significar duas coisas: que o italiano deveria aprender a fazer média como o argentino ou que tanto a casa blaugrana como a branca decidiram pela cortina de de fumaça da primeira rodada para começar de verdade na próxima, como visitantes. Nesta, o destino, leia-se tabela, quis que justamente os dois treinadores dados a se queixar da desigualdade de tratamento a grandes e pequenos, enfrentassem os todo poderosos. Caparrós, treinador do Levante e clone de garoto propaganda de chiclete, não só se queixou de que o seu time parecia estar participando de um jogo homenagem como o Santos, mas de que os árbitros não permitem o contato quando se joga contra Madrid e Barcelona. Segundo ele, tudo muda quando eles se enfrentam entre si. Como se não bastasse a abismal diferença de orçamentos.

Edu: Ou seja, acabamos de concluir, gênios que somos, que existem várias formas de as pré-temporadas serem inúteis e que existe um abismo financeiro na Liga! Quanto ao suíço Haris Seferovic, você já tinha alertado sobre como poderia ser importante ao projeto teen da Real Sociedad. Ele que tinha sido, inclusive, um dos mais ativos na derrota do Brasil, quarta-feira, na Basileia, e na estreia do time basco na Liga foi decisivo. Como, aliás, nosso Diego Costa, principalmente depois que Léo Baptistão entrou no lugar de Villa no segundo tempo da vitória sobre o complicado Sevilla, formando uma dupla de ataque brasileira. Por sinal, para nós que reclamamos tanto da mesmice nos discursos do futebol, é de se recomendar a entrevista de Diego no El Pais deste domingo (‘Hay que ver quién empieza, pero escupir da una imagen fea’). O maluco foi implacável.

Carles: Por aqui, esse jogador de índole “caliente”, como ele mesmo define a sua família na entrevista, “cae” cada vez melhor. À base de gols, bom futebol e constância. Se La Roja ainda tem alguma esperança em contar com ele, vai ter que se apressar. Imagino que o Felipão estará bem atento às evoluções dele.

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