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Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

15 de outubro de 2013 | 20h15

Edu: Os dois websites dos diários esportivos de Madrid com manchetes idênticas : “Brasil, aí vai a campeã”. É uma provocação ou só faltou criatividade mesmo?

Carles: Não se esforçaram muito, para variar. Esforço parecido com o do time em campo, o justinho. Entendam como preferir, eu fico com a segunda opção. Não acho que os estagiários que redigiram as manchetes tenham muita noção de que possam ser lidos no Brasil.

Edu: De qualquer forma, bienvenidos! 500 a.C. cumpre metade do seu caminho e agora vem a parte melhor. Imagino que o Marquês encontrou o seu ‘delantero centro’.

Carles: Obrigado. Bom, provavelmente a ida para a Inglaterra e os novos desafios “le han puesto las pilas” a Negredo, mas não acho que tenha mudado tanto, ele continua sendo um cara até bom tecnicamente, com arroubos de centroavante de área dos velhos tempos, capaz de fazer uma bicicleta como a de hoje, de fazer um gol de peixinho ou um controle de bola com ambos os pés no ar, como no jogo da sexta, mas de vez em quando parece desconectado. Para esses momentos, é bom ter uma opção, além do 9 impostor, claro. Acho que o Del Bosque descobriu, e nós já tínhamos detectado, foi o reserva do Jordi Alba, o menino Alberto Moreno, bem melhor que o Monreal.

Edu: Para alguma coisa serviram esses joguinhos contra os fracotes do grupo. Não sei como a Espanha pretende se comportar até a Copa, se o calendário dará oportunidades para alguns testes, mas todas as opções  de Del Bosque estão servidas, se ele pretende fazer alguma renovação na família. Talvez a única incógnita mesmo seja a presença ou não de Diego Costa, depois da fuzarca que a dupla Felipão-CBF aprontou, dizendo que ainda pretende utilizar o cara em amistosos.

Carles: Cara chato, agora diz que, se quiser, Diego entre nos 45. Se nosso Marquês não fosse sempre tão ortodoxo, deixaria o Diego Costa para o senhor Scolari e levaria Negredo e Morata. A agenda de Roja até estreia no Brasil, passa Dubai, dia 15 de novembro, para enfrentar a Rússia e no dia 19 do mesmo mês, um amistoso que pode ser no Soccer City de Johannesburgo, de tanto significado para a Roja, contra um adversário de nível bem inferior, quase certo que seja Gabão. Depois, em março, um amistoso contra Itália e a possibilidades de jogar na Austrália e no Chile. Antes de ir para o Brasil, a delegação faz um período de concentração nos EUA.

Edu: Um esculacho esse Felipão… Agora, mais do que nunca, tenho a impressão de que Diego Costa não estará no Mundial. Essa Rússia com quem a Roja vai treinar também passou, mas pelo que vi contra o pujante Azerbaijão, o time é a cara do Capello – pragmático, joga feio e não tem craques. Um estilo de jogo bem aborrecido. Fora a Rússia, gostei da maior novidade da Copa até agora, a Bósnia. Seria legal ter por aqui também a Croácia, como representantes do histórico futebol iugoslavo. E em Wembley, depois de alguns sustos, finalmente o English Team exorcizou velhos fantasmas.

Carles: Então, Bósnia já está, Croácia pode entrar, via repescagem. Montenegro e Sérvia ficaram às portas e todos eles demonstram ser cada vez mais competitivos. Isso prova que os processos de reacomodação cultural que, dizem, divide e faz perder força, só faz multiplicar as possibilidades. Um só lampejo de Rooney foi muito pouco para espantar os fantasmas que estiveram sobrevoando Wembley durante grande parte do jogo e da rodada. No fim, Gerrard acabou de garantir mais um campeão na festa.

Edu: Além do que pode acontecer na repesca, principalmente se pintar um duelo França-Portugal (improvável, porque afinal da contas é a Fifa que manda nisso), teremos um sorteio de grupos bem interessante no início de dezembro. Os cabeças-de-chave podem ter times como Uruguai, Inglaterra (que não será cabeça-de-chave) e ainda França, México, Colômbia e Portugal para dividir o favoritismo nos grupos. A rigor, se os lusitanos espantarem seus demônios na repesca, nenhum dos times de primeira linha no panorama mundial estará de fora.

Carles: Parece que já estão pensando no Alex Atala para o sorteio dos jogos desse mata-mata do desespero que decidiram rebatizar como playoff, para cozinhar os dois galos e que ambos tenham chance de ir ao Brasil. Mesmo assim, a trupe comandada por Cristiano promete fazer sofrer a torcida lusa sofrer até o final e nada garante que passem. Essas proezas são uma especialidade da casa. E por aí, do outro lado da poça, a noite promete ser quente também, não?

Edu: Só se for para preparar o jantar de recepção, porque nas bolinhas o nosso Atala é um desastre. Teremos de tudo, por aqui e na Concacaf também, com o México na bacia das almas. Em Santiago, o jogo tem tudo para ser um grande ‘amaño’, como vocês dizem. Os dois, Chile e Equador, se garantem com um empatezinho básico. E o Uruguai se vê às voltas com os inimigos de sempre, os argentinos.

Carles: Nesse caso, mais do que ‘amaño’, seria um apaño entre dois. Posto isto, em poucas horas confirmamos a lista provisória de convidados e seguimos acompanhando a dança das segundas chances.

EM TEMPO (Às 23h)

 Edu: O Chile cumpriu sua obrigação e se garantiu contra o Equador. Não houve ‘amaño’.

Carles: Com mais um gol de Alexis, que esta lançado.

Edu: Mas não foi suficiente para o Uruguai, que bateu a Argentina num grande jogo, só que não conseguiu o saldo de gols para superar o Equador.

Carles: Mesmo assim, os charrúas não devem ter problemas contra a Jordânia na repesca. Ou seja, mais um campeão mundial a caminho do Brasil.

 

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