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Capenga, Cristiano não tira Portugal da UTI

COLONIZADORES 1 E 2

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

23 de junho de 2014 | 06h29

Carles: Não deve ter sido fácil no campo. E na bancada? Como foi a festa?

Edu: Quente e úmida, é Manaus né? Mas animadíssima, mais por parte dos americanos, que gritaram mais, desfrutaram mais e lamentaram demais o gol de empate sofrido no último segundo. Se o futebol não pegou nos EUA como dizem, não tenho ideia de onde veio essa gente que só não engoliu a galera portuguesa porque os brazucas deram uma força.

Carles: O árbitro argentino Néstor Pittana poderia passar para a história dos Campeonatos Mundiais de Futebol por conceder o primeiro tempo técnico, mas ele preferiu algo mais informal: rapazes vão lá um minutinho, hidratem-se e seguimos.

Edu: Foi na pressão mesmo. Vários jogadores encostaram no juizão pedindo uma trégua: ‘Professor, está difícil’. O português Meirelles ficou bons cinco minutos ao lado do argentino argumentado, enquanto a bola passava de um lado para o outro. E o mais curioso foi que, quando mais cansado estava o pessoal, aí é que o jogo decolou. Não era de se esperar, depois de um domingo que começou com uma partida que poderia ser atraente e foi um lixo (Rússia e Bégica) e outra que poderia ser um lixo e terminou sendo um jogaço, Argélia e Coreia. No ‘bochorno’ de Manaus, saiu mais uma partida cheia de alternativas da Copa.

Carles: Coincidência ou conspiração cósmica, nosso almoço dominical teve bacalhau à Gomes de Sá, croquetes de alheira e pastéis de Belém. Depois fomos ver a estreia da produção francesa La Cage Dorée, uma comédia sobre a emigração portuguesa, dirigida por Ruben Alves, ele mesmo um produto da diáspora lusa, neste caso à França. Nada foi premeditado, mas acabou sendo uma perfeita ambientação para torcer pelos vizinhos no fim da noite. O almoço e o filme, melhor que o jogo dos patrícios. Provavelmente o gol de Varela só serviu mesmo para prolongar a agonia lusa até a próxima quinta.

Edu: Ah, é caso terminal. E o retrato do time é o valoroso Cristiano, uma caricatura de jogador, arrastando-se em campo com sua lesão, que mesmo deu um passe da morte para Varela. Mas a brigada lusa está entregue.

Carles: Além de complicada por si só, a situação para os de Paulo Bento piora ainda mais se considerarmos que enquanto Portugal e Gana jogam sua última cartada em Brasília, corremos o risco de assistir a um amistoso encontro em Recife entre alemães e os norteamericanos do também alemão Jürgen Klinsmann – um empate garante as duas na próxima fase.

Edu:Um empate classifica os dois? Humm, já vi esse filme. Nas rodadas decisivas que começam hoje, é possível que o bicho pegue em pelo menos quatro grupos. Na chave brasileira, Croácia e México promete muito mais que Brasil e Camarões, um jogo mais de autoafirmação para Felipão, com suas birras ridículas, do que importante para definir uma mudança técnica no time. Complicado mesmo vai ser esse Chile e Holanda, na Arena Corinthians, que vai provocar um esquema especial de segurança para a noite paulistana – além de definir quem pega quem na sequência. E temos também a despedida de La Roja…

Carles: Melancólica, carregada de atritos internos e, como é tradicional nas famílias espanholas, uns não se falando com os outros. Não sei como isso vai acabar, mas parece provável que o marquês siga e seja ele quem comece a renovação.  Mesmo sob o risco de cometer a proeza de deixar a vigente campeã na lanterninha.

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