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Com Tata, o Barça se curva ao reinado de Messi

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

23 de julho de 2013 | 06h35

Edu: É agora que Messi se espalha de uma vez. Vizinho de Rosário, amigo de ‘papá’, preferido da família… Com Tata Martino no banco, teremos um Barça com acento argentino e com Lionel como futuro presidente em potencial. Só quero saber o que isso pode significar para Neymar, que vai chegar em plena revolução.

Carles: Para o Neymar é uma boa notícia. Martino gosta do jogo bem jogado e, pelo que sei, é uma espécie de Bielsa com que se pode conversar. Agora, que o reinado de Messi acabou de ser instaurado no Camp Nou, disso não resta nenhuma dúvida. Nem o Romário foi capaz de dar essa mãozinha para o colega Joel Santana. Ou foi? Não me lembro…

Edu: Até foi, mas a experiência não deixou boa lembrança para os cariocas.

Carles: Não sei que tal o Claudinei Oliveira, mas Martino esteve aí dando sopa e o Santos, que queria o Bielsa, não pensou nele? Tem uma explicação?

Edu: Pois é, pensou sim. Parece que houve até um contato, mas não avançou pelo motivo de sempre: grana. Claudinei é um visível tapa-buraco, mas enquanto tiver conseguindo bons resultados vai ficando. Já vi esse filme muitas vezes. Voltando ao Barça, será que é possível que Tata, Messi e Mascherano iniciem uma dinastia com sotaque portenho no reino da Catalunha? Martino tem fama de se adaptar bem aos jogadores, sem precisar fazer grandes transformações. E no tempo em que esteve jogando por aí deve ter conhecido alguma coisa das exigências do ambiente ‘culé’.

Carles: Já houve uma dinastia holandesa, agora quem sabe… Tata Martino esteve um ano jogando no Tenerife e, se não está diretamente relacionado, ao menos foi justamente após a sua passagem pelas ilhas em 1991, quando o Tenerife ganhou por duas temporadas seguidas do Real Madrid na última rodada, deixando o título de liga em bandeja para o Dream Team de Cruyff. Pode ser um bom augúrio.

Edu: E tem a questão da cultura de jogo implantada por Guardiola, o que torna o trabalho de qualquer estranho que chegar ao Barça alvo de exigências muito maiores. Vi algumas partidas recentes do Newel’s e, ao menos, o padrão exigido pelo Martino tem muito de bola no chão, toque e posse, alguns dos mandamentos da doutrina Barça. Só não sei como ele vai enfrentar os egos.

Carles: Um treinador com o perfil Barça e que, pela falta de experiência na Europa, deve chegar com a crista baixa. Pelo que comentamos o outro dia, ideal para Rosell e seu grupo, não? E com a bênção da eminência parda.

Edu: Tenho muitas dúvidas se uma crista muito baixa será bom ou mau negócio nesse time. O Barça se acostumou mal nos últimos tempos e também sua torcida, um nível de exigência que pode engolir um cara que chegue muito de mansinho e tem uma vivência internacional ainda frágil, apesar do Mundial que disputou dirigindo o Paraguai. Claro, sempre haverá Messi por perto para segurar as pontas. Mas, por sinal, o que é exatamente um treinador com perfil Barça?

Carles: Não sei exatamente o que é esse tal perfil Barça, repito o que eu tenho lido, mas imagino que se refira ao gosto pela bola rolando e não voando, pelo passe pensado e não sorteado e pelos jogadores que se mexem o tempo todo. Aliás, contam as lendas que o habilidoso meia Tata Martino, ‘El ocho de los lepra’, era um jogador muito habilidoso mas que atuava meio parado, literalmente na sombra, até que encontrou ‘el loco’ Bielsa iniciando a carreira treinador. Desde então, dizem, nasceu nele o gosto por esse estilo de jogo.

Edu: Tínhamos falado outro dia que nove times da Primeira Divisão da Espanha tinham trocado de técnico. Agora mais um. Será uma temporada cheia de novidades – Madrid rejuvenescido e ‘espanholizado’, Barça ‘argentinizado’, Atlético reforçando o padrão Simeoni (mais um argentino no pedaço), Bilbao ofensivo. Parece um bom coquetel esperando por Neymar. E, no mínimo, estaremos livres dos bate-bocas diários envolvendo Mourinho. Me parece que Ancelotti e Tata são capazes de levar uma relação cordial, em que pese as rivalidades.

Carles: ‘Son pibes tranquilos’, ambos. Pelos meus cálculos, então, são 50% das equipes com treinador novo. Vamos torcer para Tata, uma perspectiva diferente da liga. Ancelotti não conta, estava aí pertinho e a mulher é espanhola. Valverde, Djukic, Caparrós mudam de time mas também já estavam por aqui. E tem o Luis Enrique em Vigo, que não foi desta vez para Barcelona, principalmente para não fechar portas nem estragar as boas relações entre os clubes, mas estou convencido de que se Martino não der certo, Lucho arruma as malas e volta rapidinho para a casa blaugrana.

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