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Croácia, em nome do fino futebol

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

08 de outubro de 2013 | 12h32

Edu: Semana de decisão na Eliminatória Europeia e já temos algumas seleções carimbadas a caminho do Brasil. No Grupo A, por exemplo, só uma hecatombe tira a liderança da Bélgica, mas seria importante a Croácia, outra força da chave, passar pela repescagem. É um time bem interessante para vermos aqui no ano que vem e que teve o azar de cair justo com a melhor geração jamais vista do futebol belga. As duas seleções, aliás, se enfrentam na sexta-feira.

Carles: Em Zagreb, o time da “arlequinada”, como costuma ser chamado por aqui, pode tentar o milagre começando por ganhar de uma grande Bélgica. A tal hecatombe nem seria que os croatas conseguissem ganhar os últimos seis pontos em jogo, primeiro em casa e depois em Glasgow, mas que os belgas não ganhassem do fraquíssimo País de Gales que imagino não volte a escalar Gareth Bale nestas eliminatórias. Esse jogo da sexta vale a pena ver.

Edu: É uma quantidade razoável de bons jogadores de um lado e de outro. Os croatas, praticamente uma Torre de Babel, porque só o veterano zagueiro Simunic é virtual titular e joga no país, pelo Dínamo de Zagreb, têm um meio-campo muito dinâmico, com seu amigo merengue Modrić e principalmente Rakitic, que virou um faz-tudo no Sevilla, é inclusive capitão, mas que tem muita qualidade para armar e para concluir. Sendo que, lá na frente, eles ainda têm a dupla incendiária Olic-Mandzukic.

Carles: Por resultados, agilidade na reivindicação da reputação e até por estilo, Croácia é a legitima herdeira do grande futebol iugoslavo, é uma atração permanente nas Copas. Rakitic é um jogador que sempre me chamou muita a atenção, um jogador talentoso e, como você disse, muito versátil, a ponto de ser considerado mais sevillano que muitos autóctones, talvez um pouco graças ao passado de seu célebre compatriota Suker em Nervión – pelos seus gols decisivos e pelas peripécias fora dos gramados. Luka Modrić virou o motorzinho do Madrid, onde só de vez em quando tem licença para chegar ao ataque, algo que faz de sobra na sua seleção. Grande meio de campo, com fino trato de bola e nada preguiçoso.

Edu: Por isso foi uma judiação terem caído no grupo de Hazard e sua turminha boa de bola. E esse meio de campo tem ainda um volante que sabe sair para o ataque, Ognjen Vukojević, do Kiev. Lembro bem de como o time foi fluente na Eurocopa, de onde Mandzukic saiu consagrado e com o um contrato com o Bayern de Munique no bolso. Muito ativo o Mandzukic, um eficiente atacante de área, mas que também sabe se mexer, compactar. Parece que só o Guardiola não gosta dele.

Carles: O problema de Guardiola não é com Mario, mas com os centroavantes em geral. E o passe de dois dedos do Modrić contra a Espanha, talvez no único jogo em que o título esteve em risco, seduziu de vez, Florentino e camarilha. E tem ainda o croata Eduardo da Silva, nascido em Bangu e criado em Zagreb, menos titular que em outras oportunidades. Esse já não tem mais jeito do Felipão querer.

Edu: Tem alguma técnica esse meu xará, mas não passa de uma boa opção de jogo para alguns momentos, até porque a concorrência no ataque é pesada. Só temo um pouco pela defesa croata. É um déficit que eles assumem pelo próprio estilo de jogo mais ofensivo e agradável de se ver, mas que já causou problemas mesmo nestas eliminatórias. De qualquer jeito é um time que tem cacife para estar aqui na Copa, no mínimo em honra ao passado glorioso de fino futebol de jogadores como Robert Prosinecki e Zvonimir Boban, sem contar o artilheiro já lembrado por você, Davor Suker.

Carles: Andou tomando gols bobos, por falta de controle, inclusive no recente empate contra a Sérvia, de bola parada. Sempre um futebol bom de se assistir mas que costuma demonstrar certa falta de capacidade competitiva. Costuma falhar nas retas finais. Por isso, não arriscaria um palpite na mais que provável eliminatória pela repescagem. Com a Croácia tudo é possível.

Edu: Pelo que os povos daquela região passaram na década de 90 não é de se estranhar a instabilidade um tanto crônica também no futebol, que praticamente teve que ser reconstruído, como as próprias nações dos Balcãs. Mas é um país com fortes conceitos de memória, identidade e com uma rica história social. Se fosse possível fazer um convite extra para um time estar garantido na Copa, o meu iria para a Croácia.

Carles: Provavelmente não será necessário.

 

 

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