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Czar russo no Principado

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

29 de maio de 2013 | 08h03

Edu: O russo do Monaco conhece um pouco de futebol, pelo jeito. Mas será que James Rodriguez e Radamel Falcao valem, juntos, 105 milhões de euros?

Carles: Eu acho que com Falcao ele pretende garantir meio time. Falcao e família adoram grana, mas o colombiano gosta de se sentir importante. Não deve ficar muito tempo no Principado. Rumores apontam que na reunião em Zürich que manteve com os representantes do russo para fechar a sua transferência, o jogador pediu a inclusão de uma cláusula que permite e dá prioridade a Chelsea e Real Madrid (o contrato com o Atlético vetava a sua venda direta ao clube “blanco”) para contratá-lo já em janeiro.

Edu: De qualquer forma é um reconhecimento ao futebol colombiano. Rodriguez é um jogador bastante criativo e equilibrado para quem tem 21 anos. É um preparador de jogadas para Falcao mas também sabe se apresentar para finalizar. Isso no futebol francês vai causar furor.

Carles: Foram 45 milhões por James Rodriguez?

Edu: Sim. E 25 milhões por João Moutinho!

Carles: Os colombianos também jogaram juntos no Porto, não?

Edu: Isso. E os três são representados pelo seu chegado português Jorge ‘Mou’ Mendes. Esse russo, Dmitry Rybolovlev, não parece estar brincando. Ele é da nova geração de investidores daquele pedaço, muito mais agressivo do que Abramovich e companhia. É o rei do potássio, está entre os 80 mais ricos da Forbes, vive como um nababo na Suíça e parece entender de futebol a julgar pelas ideias de levantar um time que já teve muito nome apesar da decadência dos últimos tempos. Além de negócios, é claro. Escolheu não por acaso um paraíso fiscal para montar seu projeto de avançar sobre o futebol do Ocidente.

Carles: É um plano perfeito. E Alberto Grimaldi gosta pouco de futebol, né? A última aparição estelar do clube na Europa foi quando da célebre desclassificação de Madrid  em quartos e Chelsea em semifinais, em 2004. Acabou caindo justamente diante do Porto na final. Então era o Monaco de Evra, Plasil, Rothen, Cissé, Giuly, Morientes, Adebayor, Prso, treinado por Didier Deschamps… o príncipe já deve ter saudade das noites de Champions vistas desde a tribuna de honra.

Edu: É verdade que competindo na França ele terá que se submeter, em parte, ao fisco, mas escolher um futebol de nível médio para investir e se garantir entre os grandes da Europa é uma mão na roda para aventuras desse porte. Como foi para o PSG, se bem que o volume de gastos dos árabes foi muito maior em Paris do que será no Principado. Houve mais desperdício também. O certo é que o Monaco, com os colombianos, Víctor Valdés, João Moutinho e muitos mais que virão, terá vaga certa na temporada 2014/2015 da Champions depois de ter subido de Segunda Divisão. O único problema – e aí já começo a duvidar um pouco dos conhecimentos do russo – é o técnico, que vocês conhecem bem.

Carles: Ranieri, quantas lembranças!!!

Edu: Deus me livre…

Carles: Estão sondando também o Dani Alves e se fala até no Diego López, já que Casillas deve voltar a ser titular no Real Madrid (nestas datas todos os representantes dedicam-se a especular e plantar notícias aqui e ali). O português Ricardo Carvalho, também jogador de Mendes, já foi para Monaco. Livre, sem custo.

Edu: Dani disse que não descarta uma transferência. Se bem que agora terá que servir de babá do Neymar. E tem também uma blitz para levar Carlitos Tevez. Será curioso ver Carlitos pelas ruas de Monte Carlo. Tudo a ver.

Carles: Verdade. O Barça mais do que nunca sabe da importância de Dani para a próxima temporadas e não exatamente como lateral direito. Tevez? Sempre os mesmos disponíveis, toda temporada, né? Os trotamundos.

Edu: Mas será um time forte, apesar do Ranieri. No contexto francês, um time fortíssimo, que pode até complicar para o PSG.

Carles: E como estamos especulando, falou-se também em Quique Sanches Flores para o posto de treinador. Mas nada como a elegância dos blazers de corte italiano do romano desfilando pela corte.

Edu: Por onde anda Quique?

Carles: Em finais de 2011 foi se refugiar no Al-Ahli, dos Emirados Árabes, depois das passagens não tão tranquilas por Valencia, Benfica e Atlético de Madrid.

Edu: Teria mais perfil para um projeto inovador. Ranieri é um desses mistérios do futebol. Tem uma longa carreira sem nenhum título importante conquistado – talvez a Copa Itália há mais de 15 anos e pouco coisa mais. Mas está sempre empregado e com times importantes no currículo. E é um especialista em jogo feio, horroroso eu diria, travado, defensivo. Temo pelo talento de James Rodrigues e mesmo pela anarquia de Tevez.

Carles: Como disse o sábio Sérgio Ramos, um treinador deve saber administrar um vestiário repleto de culturas e nacionalidades diversas. É exigência de currículo para o futebol atual. E, quanto a Ranieri, não se esqueça das gloriosas conquistas da Copa del Rey e Supercopa, quando esteve na minha terra natal, em Valencia. Segundo Mourinho, títulos importantes.

Edu: No padrão Ranieri.

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