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Del Bosque confirma Diego Costa e preserva a família

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

31 de maio de 2014 | 09h38

Edu: Del Bosque não poderia ter sido mais família do que foi. Preservou todos os ameaçados do meio de campo e manteve os veteranos pilares do ataque. Só faltou incluir Arbeloa e Capdevilla para continuar o convescote da África do Sul.

Carles: Sem dúvida foi o critério e isso dá conta das parcas pretensões de conseguir o bicampeonato, chame-se pessimismo ou realismo. Levar Villa e Torres, nas atuais condições de ambos, cheira mais a homenagem que a competição.

Edu: E ainda perdeu Navas, uma válvula de escape pela direita. Como prescindiu de Negredo, que tem ao menos uma explosão física e força no jogo pelo alto – coisa que Torres e Villa não fazem faz tempo – cai tudo sobre Diego Costa. Na Copa sonhada em seu país de origem, Diego terá uma responsabilidade monstruosa.

Carles: E não entendi mesmo ele ter deixado o Negredo (que não é santo da minha devoção) fora principalmente porque Costa ainda é incerto, viaja a Washington em condicional, para seguir o tratamento médico e se não der contra El Salvador, dia 7 e baseado no regulamento da Fifa, a Federação Espanhola solicitaria uma substituição. Há quem diga que Llorente tem mais chances que Negredo, pois o jogador da Juve, apesar de coadjuvante, como se diz por aqui foi de menos a mais, enquanto o do City foi todo o contrário, prejudicado pela volta de Agüero ao time na reta final da Premier. O outro citizen, Navas, é um perda que poderia ser contornada com a incorporação de Deulofeu, que daria essa alternativa de jogo pelos lados, explosivo, rápido, fintador, com bons cruzamentos ou tiros ao gol. Mas pelo visto a comissão técnica se esqueceu dele lá no Everton, até que Luis Enrique refrescou a memória de todos. Tarde demais, porque ele não estava nem entre os 30.

Edu: Por princípio, o pior disso tudo é a aposta de Del Bosque, que já foi campeão do mundo com o pior ataque da história dos finalistas de Copa. O Marquês, definitivamente, não é um técnico ofensivo, abre mão com a maior tranquilidade de uma proposta de jogo que busca o gol para privilegiar a posse de bola. Desconfio que a velha alternativa do falso 9, que você ressaltou ontem, ainda é a preferida do treinador. Cesc, sempre Cesc.

Carles: Fàbregas que ontem, usando sua própria expressão, turbinou o ataque. Há quem ache que vai ser mais complicado incrustar um atacante como Costa nesse esquema, que segue vivo, mesmo sendo do falecido Luis Aragonés. Del Bosque não é um treinador ofensivo, mas tampouco defensivo. É um senhor muito correto, simpático e com uma tremenda bagagem dentro do futebol, como tantos outros treinadores. Alguns, campeões. Esse senhor é o ganhador de uma Copa e de uma Euro. Com jogadores que estavam no seu melhor momento técnico e emocional e que agora, pelo menos os decisivos, já estão pensando como será a vida de aposentados. A expectativa de poder fazer um papel digno está nos pés dos que vêm, há tempos, pedindo para ter maior protagonismo, como Cazorla, talvez junto com Silva, o jogador mais em forma, atualmente e o próprio Cesc, que funciona bem nesse time, muito mais do que no Barça. E tem também a grande esperança branca, o senhor Andrés Iniesta que não sabemos como vai chegar.

Edu: Pois o respeitável Don Vicente vai deixar David Silva, melhor jogador espanhol no momento (junto com Sérgio Ramos), no banco de início. Ou você duvida? Diego deve entrar em certas ocasiões. O que é uma pena, porque pelo que vi ontem da defesa do Chile contra o Egito, Diego Costa, com 60% de suas condições, já faria uma festa. Os chilenos só viraram o jogo, depois de saírem perdendo por 2 a 0, porque Alexis e Eduardo Vargas jogaram como se estivessem numa final de campeonato. Nada de se poupar. Com tudo isso, de acordo com sua análise de ontem, parece que o torcedor espanhol é compreensivo com essas idiossincrasias do Marquês.

Carles: Nem compreensivo nem intolerante, o maioria dos espanhóis sabe das reais chances da seleção e está meio conformado, o que vier é lucro. Claro que de campeão do mundo a fracasso total tem todo um abismo e ninguém é mazoca até esse ponto. Vivemos a decadência de Fernando Alonso, a de Nadal, de Pau Gasol, de La Roja e do nosso modelo social e financeiro. Sem resignação, mas com realismo. Tempos melhores virão, sem Rajoy e esse bom homem com título nobiliário e boa vontade. Com gente como Pablo Iglesias, Iñigo Errejón e Alberto Garzón num time e Isco, Thiago e Deulofeu no outro. E, quem sabe, Pep Guardiola.

 

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