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Diego Costa e o Atlético sacodem a hierarquia

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

11 de março de 2014 | 20h14

Edu: Milan e Arsenal fora, Atlético dentro. Algo está mudando na hierarquia da Champions?

Carles: E nenhum italiano entre os oito melhores. O certo é que o Atlético meteu 5 a 1 (entre os dois jogos) num dos clássicos, dono de sete taças continentais e isso já ninguém tira dos colchoneros.

Edu: Ninguém tira, seguramente. Pareceu em grande parte do jogo que o time com tanto currículo era o outro, não esse Milan rastejante, que teve dez minutos razoáveis só porque Kaká ainda está por lá. De resto, foi o massacre da serra elétrica.

Carles: Nem sombra do Milan sete vezes campeão de Europa. Um Kaká completamente diferente daquele do Real Madrid, capitão e praticamente o único resto de dignidade dos rossoneros. Parece que o que ele não gosta mesmo é ter que compartilhar protagonismo. Será capaz de liderar o projeto Seedorf dentro de campo, partindo quase desde zero?

Edu: Ali um precisa muito do outro. Seedorf terá que fazer cirurgias em todos os setores. Não é cabível um time com a história do Milan ter jogadores como Rami, De Jong, Pazzini, Muntari… Por favor. Acho até que a Atlético prestou um serviço com essa tunda no Calderón, uma demonstração de autoridade e competitividade. Diego Costa, sozinho, jantou aquela defesa inteira. Se sou técnico de um dos sete adversários da próxima fase, preferiria passar longe desse time do Cholo.

Carles: Diego Costa, ao final, fez o tradicional discurso de que não tem preferência de adversário e no campo, eles deixaram a sensação de que é a pura verdade, mesmo que seja contra o bicho papão, principalmente se for o Bayern morninho de hoje. Normal, por outro lado, contra esse time de Wenger aparentemente sem projeto e com uma vantagem de 0 a 2. Pelo andar da carruagem, com exceção do Chelsea, o resto dos ingleses perigam, apesar da volta de Agüero ao jogo do Camp Nou e da total falta de regularidade do Barça.

Edu: Põe morninho nisso. Guardiola tem que se preocupar com essa defesa, isso sim. O time é todo ofensivo, como ele gosta, mas não está absolutamente preparado para ser atacado, mesmo pelo Arsenal capenga. Agora, amanhã, no encontro dos dois gigantes em crise existencial, tenho um mau pressentimento.

Carles: Na verdade tudo depende de qual dos Barças entrar em campo. Em teoria, a vantagem é suficiente para poder se garantir nas quartas de final, mas se os grandes candidatos a estrelas da final do Maracanã, já sabe o 10 e o 11, seguirem insistindo em não por o pezinho, pode até ser que suas sensações se confirmem.

Edu: Neymar nem entra em campo amanhã, tenho plena certeza disso. Tata vai preferir se agarrar nos quatro meio-campistas da casa para garantir posse de bola, Pedro ou Alexis correndo pela direita e Messi fazendo ali uma ou outra ‘cosita’. O técnico argentino pode sentir amanhã a sombra real da guilhotina e não vejo clima para partir para o ataque, nem com falso 9. Vai tentar se segurar no cargo com o que o Barça tem patenteado, o toque de bola. Agora, se tomar um gol, pode mudar tudo. Mesmo assim, acho que Neymar está queimado e só entra numa emergência.

Carles: Está claro que no caso de fracasso, as chances de o Tata ter que começar a colocar suas polos verde pistache na mala, a caminho de Rosário, é mais do que uma mera especulação. É um jogo num campo de grandes dimensões, provavelmente vai ter muitos espaços, ideal para jogadores rápidos e habilidosos. Neymar costuma fazer bons jogos em casa, mas é provável que o medo de perder o emprego, faça o argentino sair com Song além de Busquets, inclusive pela síndrome blaugrana ao jogo aéreo.

Edu: Não vejo outra solução para o Tata a não ser lançar mão de Busquets, Cesc, Xavi e Iniesta, até porque Song foi um desastre completo contra a Real Sociedad. Só acho que se ficar segurando muito o time dificilmente deixa de levar um gol do City ainda no primeiro tempo. Neymar seria útil, sim, até para o contra-ataque, que não é especialidade da casa, mas poderia ser uma arma para o time que tem vantagem de 2 a 0. Só que a atual fase não é propícia e Ney fica para outra ocasião. Vamos ficar pendentes de Messi – se vai ou não por o pezinho.

Carles: Quem sabe o Lionel não esteja de olho no outro jogo do dia, em Paris, possível destino dele depois da Copa, segundo especulações que claro dependem do que vai ser desse Barça e da força do talão de cheques de Al-Khelaifi.

Edu: Por enquanto Messi não faz falta. O PSG nem deve desmanchar o penteado contra o Leverkusen, ainda mais jogando em Paris e com uma vantagem amazônica – 4 a 0 no jogo de ida.

 

 

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