Em nome de Pirlo
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Em nome de Pirlo

Carles Martí (Espanha) e José Eduardo Carvalho (Brasil)

16 de junho de 2013 | 19h08

Edu: Esse México não assusta, não é possível que cause algum problema ao Brasil, mesmo depois da síndrome criada pelos últimos resultados negativos, incluindo a final olímpica.

Carles: Até acho que tem um material humano razoável, e quando consegue chegar à frente pode dar algum susto, mas tem muita dificuldade em fazer a bola circular, com as linhas muito desconectadas e um sistema defensivos muito frágil. A Itália tampouco esteve no mesmo nível que no amistoso contra o Brasil.

Edu: Foi a Itália tradicional, povoando o meio de campo e esperando a coisa acontecer com uma faísca de alguém. Não foi, de fato, o time revigorado de Prandelli, agressivo e mais atraente. Mas foi pouco ameaçada também e, no geral, dominou o jogo. Os jogadores estão cansados, está claríssimo, e a saída foi otimizar.

Carles: O cansaço era evidente, como aconteceu com a Inglaterra no último amistoso. É reflexo do fim de temporada na Europa ou da capacidade dos brasileiros como anfitriões? Bom, o jogo tinha um sabor especial para os italianos, para um em particular, Andrea Pirlo, seu centésimo jogo pela seleção e o sonho antigo de jogar no Maracanã, cumprido. E ele justificou com um golaço na gaveta diante da resignação do goleiro mexicano que até encolheu os braços.

Edu: Foi a parte mais bacana do jogo, o reconhecimento do público ao velho Pirlo. E também ao Balotelli, que disse se sentir em casa no Brasil. Saiu ovacionado. Para comemorar na Azzurra, Pirlo teria mesmo que fazer um gol com sua marca. Que facilidade.

Carles: Visivelmente é uma seleção em construção. Infelizmente para la Rojita, Verrati está em Israel, no Campeonato Europeu Sub-21, e estará na finalíssima dos garotos. Com ele no meio, eu acho que Prandelli poderia ter-se permitido colocar uma melhor companhia para Balotelli, um pouco isolado lá na frente.

Edu: Tenho a impressão de que a Itália vai para cima do Japão e depois se segura nesse esquema conservador contra o Brasil. O jogo contra os brasileiros será na Bahia, à tarde, e não acho que o time vai conseguir marcar forte o tempo todo. Um empate será bom negócio, ou então um golzinho de Supermário no contra-ataque, no máximo.

Carles: Contra o Japão, mas principalmente contra Zaccheroni, velho conhecedor dessa Itália. Temo que vá ser um jogo amarrado, com as duas seleções já mais ambientadas. Enquanto falamos, vejo a Sarita Carbonero ao vivo de Recife, sem poder evitar o sorriso e anunciando que Casillas será o titular.

 

‘LA ROJA’ EM MEIO TEMPO

Carles: Parece que Cesc também lê o 500 a.C. e fez questão de mostrar para você e para todos os que têm dúvidas sobre ele que sabe jogar. Fez um primeiro tempo perfeito junto com seus companheiros de meio campo do Barça.

Edu: Ainda não me convenceu. ‘La Roja’ foi aliviar e quase se complica?

Carles: Estamos acostumados a esses sofrimentos por outro lado, mas valeu pelo primeiro tempo.

Edu: Jogou muito no início, Xavi e Iniesta soberbos. Se bem que o Uruguai fez um primeiro tempo patético.

Carles: O Uruguai só conseguiu quebrar o domínio nos minutos em que bateu. Acho que abusou desse recurso e o juizinho consentiu. No final ele teve que fechar os olhos até para alguma jogada de Sérgio Ramos que merecia cartão amarelo.

Edu: O japonês é bem fraquinho, já mostrou outras vezes, não sabe controlar pancadaria e também é tecnicamente inseguro. O mais importante: a Espanha veio para ser finalista e em cinco minutos acabou com umas vaias ensaiadas no Recife, conquistou a torcida. Temo por esse Uruguai contra a Nigéria. Muito mesquinho o time de Tabárez.

Carles: Os ‘charrúas’ poderiam ter escolhido outra forma de jogo, sem tanto xerifão no meio. Optaram pela falta de fluidez até um ataque composto pelos favoritos de muitos dos grandes clubes europeus para a próxima temporada. Erraram muitos passes. No fim, tudo ficou no golaço de Luis Suarez de falta e só tiveram chances porque ‘La Roja’ insiste em não fechar as partidas. Precisa avisar os espanhóis de que gol feio também vale.

Edu: Você jogou bola (com ressalvas, é verdade) e sabe que quando o jogo está fácil é normal essa indolência. Se fosse preciso, o Uruguai teria tomado não de 2 a 1, mas ‘una manita’, sem sustos.

Carles: A sensação que eu tive é de que, se houve mesmo uma reconciliação entre Arbeloa e Casillas que não se falavam há seis meses, o goleiro foi o pior parado. Apesar de pouco acionado, achei-o nervoso. E o Piquet, que também teve algum desentendimento com Alvarito, é outro que esteve inseguro. Esperemos o desfecho desse novo ‘culebrón’, contra o Taiti e no templo do futebol.

 

 

 

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